Período (d.C.)TemaEvento
476Império RomanoFim do Império do Ocidente: Odoacro, rei dos hérulos, derruba o último imperador romano Rômulo Augústulo. Esta data, por convenção, marca o fim da Antiguidade e o início da Idade Média.
Convenciona-se definir a Idade Média como o período que se estende do ano 476 d.C. (queda do Império Romano do Ocidente) até o ano de 1453 quando os turcos otomanos tomaram Constantinopla. Esse período costuma ser, por sua vez, subdividido em duas fases: a Alta Idade Média, de 476 d.C. até o ano 1000 e a Baixa Idade Média, do ano 1000 até o ano de 1453.
Durante os séculos que se seguiram à queda do Império Romano do Ocidente, os territórios da Europa sofreram inúmeras transformações políticas com a formação de muitos reinos bárbaros que, em sua maioria, tiveram curta duração. Alguns poucos sobreviveram graças, não somente à força das armas, mas sobretudo à maior capacidade de organização de seus líderes, como foi o caso dos francos na Gália.
Os francos eram um povo germânico de origem desconhecida. Quando a História começou a identificá-los, dividiam-se em duas grandes tribos: os francos ripuários das margens do Reno e os francos sálios que ocupavam a região da atual Bélgica.
481 a 511FrançaReinado de Clóvis, rei franco que inaugura a dinastia merovíngia e o verdadeiro reino da França.
Merovíngio é um nome derivado de Meroveu que teria sido avô de Clóvis. Na verdade, sua existência nunca foi devidamente comprovada, o que leva muitos historiadores a consideraram que Meroveu seria apenas uma figura legendária.
Muitos historiadores afirmam que durante a dinastia merovíngia (iniciada com Clóvis e terminada com Childerico III em 751) não existia ainda o reino da França. Os merovíngios reinavam apenas sobre os francos. O reino da França teria sido formado, efetivamente, após o Tratado de Verdun em 843 quando houve a divisão do Império de Carlos Magno e se criou a chamada França Ocidental.
493 a 526ItáliaReinado de Teodorico, o Grande, rei ostrogodo. Após derrotar Odoacro, funda o reino ostrogodo da Itália tendo como capital a cidade de Ravena. Cercado de pessoas de cultura greco-romana, Teodorico fez um bom governo, sendo considerado por alguns historiadores como precursor de Carlos Magno.
Por ocasião da queda do Império Romano do Ocidente, a parte oriental (futuro Império Bizantino) era governada por Zenão. Quando os ostrogodos começaram a ameaçar o Império Romano do Oriente, Zenão convenceu Teodorico, rei dos ostrogodos, a invadir a península Itálica e lutar contra Odoacro.
25 de dezembro, 496 (?)FrançaBatizado do rei Clóvis na igreja de Reims.
Esse batizado, ocorrido em 496 ou 498, se constituiu em um evento muito significativo para a igreja cristã primitiva, pois Clóvis passou a ser o principal defensor do cristianismo, não somente contra os pagãos, mas também contra os cristãos que seguiam a doutrina arianista, como os burgúndios e os visigodos.
507FrançaBatalha de Vouillé: Clóvis derrota Alarico II e extingue o reino visigótico da Gália sediado em Toulouse. Assim, os visigodos ficam restritos à Espanha e Clóvis incorpora a região do reino visigótico, a Aquitânia, ao reino franco.
511FrançaMorte de Clóvis.
Através de inúmeras conquistas, os descendentes de Clóvis governaram uma Gália bastante expandida. Contudo, a crescente mediocridade dos reis merovíngios, contrapondo-se à influência exercida pela aristocracia dos grandes proprietários de terras, conduziu à derrocada dessa dinastia, cujos últimos representantes eram chamados de reis indolentes, já que levavam uma vida fútil e desinteressada dos assuntos do governo. O poder era exercido, de fato, pelos chamados prefeitos do paço, uma espécie de primeiro-ministro.
527 a 565Império BizantinoReinado de Justiniano, considerado o mais importante imperador da história bizantina. Tem início uma nova dinastia, a justiniana (527 a 610).
Durante seu reinado, o Império Bizantino atingiu uma enorme extensão. Justiniano conquistou o norte da África que estava em poder dos vândalos, a península italiana que era domínio dos ostrogodos e uma parte da Espanha visigótica. Casado com Teodora, mulher belíssima, que fora atriz e cortesã, Justiniano exerce um poderoso controle sobre a vida política e religiosa do Império, interligando de tal forma esses dois aspectos, que sua pessoa passa a ser quase sagrada. Acumula tanto o poder temporal como o espiritual (cesaripapismo). Entre os maiores feitos de seu reinado citam-se a construção da Igreja de Santa Sofia e a publicação do Código de Justiniano (ampla revisão e codificação das leis existentes desde o período de Adriano).
529Império BizantinoImperador Justiniano proibe o ensino da filosofia clássica grega. Com isso, Atenas deixa de ser o importante centro cultural que ainda era.
529ItáliaBento de Múrcia, depois canonizado como São Bento, funda em monte Cassino, próximo à cidade de Nápoles, o mosteiro que dá origem à ordem dos beneditinos.
532Império BizantinoRevolta Nika: rebelião popular devido à insatisfação em relação a várias medidas do governo de Justiniano, principalmente aos altos impostos decorrentes dos excessivos gastos militares. A revolta se inicia no hipódromo local, onde duas facções de jóqueis - verdes e azuis - são também partidos políticos. A multidão entusiasmada grita Nika ("vitória" em grego) pelas ruas. A luta termina com o cerco dos revoltosos no hipódromo, onde perto de 30 mil são exterminados.
A revolta se iniciou no hipódromo local, onde duas facções de jóqueis, verdes e azuis, eram também partidos políticos. Membros desses partidos instigaram a revolta que logo se alastrou pela cidade com inúmeros ataques a prédios públicos, inclusive ao palácio imperial. A multidão entusiasmada gritava nika (palavra grega que significa "vitória") pelas ruas de Constantinopla. Justiniano, nomeou o general Belisário para enfrentar os rebeldes. A luta terminou com o cerco dos revoltosos no hipódromo, onde perto de 30 mil foram exterminados. 
534Império BizantinoExército bizantino comandado por Belisário derrota os vândalos e extingue o seu reino no norte da África.
534FrançaFrancos derrotam os burgúndios e anexam o seu reino.
535 a 554ItáliaGuerra de Reconquista: com a morte de Teodorico, os bizantinos dão início à reconquista da Itália. Esta guerra entre bizantinos e ostrogodos dura quase 20 anos e deixa o país arrasado.
537Império BizantinoInauguração da igreja de Santa Sofia.
A obra empregou cerca de 10 mil trabalhadores e consumiu enormes recursos financeiros, levando quase seis anos para ser concluída. No ato da inauguração, o imperador subiu ao púlpito e agradeceu a Deus a oportunidade de poder erguer um monumento tão majestoso. Teria exclamado: "Ó Salomão, eu vos superei" afirmando assim que Santa Sofia seria mais grandiosa que o famoso Templo de Salomão.
538 a 710JapãoPeríodo Asuka: budismo introduzido no país (538 a 552).
562ItáliaQueda de Verona, última cidade ainda em poder dos ostrogodos.
565Império BizantinoMorte do imperador Justiniano.
No período compreendido entre a morte de Justiniano (565) e o final da sua dinastia, o Império Bizantino passou por anos muito turbulentos, tanto no âmbito interno (situação financeira precária, disputas religiosas, pestes e fome), como no setor externo (constantes incursões de povos inimigos em seu território; perda da Itália para os lombardos). Assim, fustigado pelos mais diversos problemas, o Império chegou a um ponto de quase desintegração. Salvou-o, contudo uma nova dinastia, iniciada por Heráclio no ano de 610.
568ItáliaLombardos, comandados por Albuíno, se dirigem para o norte da Itália, região praticamente abandonada após a recente aniquilação do reino ostrogodo pelos bizantinos.
569ItáliaMilão tomada pelos lombardos.
No final do século VI, a Itália estava dividida entre os bizantinos e os lombardos, os quais mantiveram seu reino com capital em Pavia até 774, quando foram derrotados por Carlos Magno.
c. 570Civ. IslâmicaNascimento de Maomé na cidade de Meca, na Arábia. Seus pais pertenciam a um dos clãs mais pobres (axemitas) da importante tribo dos coraixitas (quraysh), guardiã da Caaba.
A Caaba era um santuário de granito em forma de cubo onde, na época, os árabes adoravam seus numerosos ídolos, tendo sido preservada como local sagrado, mesmo após a instituição por Maomé de uma religião monoteísta. Atualmente é o principal centro de peregrinação do islamismo e é, exatamente em direção à Caaba, que os fiéis muçulmanos se voltam para fazerem suas preces diárias. No interior da Caaba há uma pedra negra (provavelmente um pedaço de meteorito) que é uma das principais relíquias da religião e que, segundo o Alcorão, teria sido dada a Abraão pelo anjo Gabriel.
577InglaterraBatalha de Deorham: tribos germânicas (principalmente saxões) instaladas na ilha da Britânia derrotam, definitivamente, os bretões e dividem o país em sete reinos, uma heptarquia.
Embora a maior parte dos bretões tenha se submetido, algumas minorias não se entregaram, refugiando-se em enclaves celtas na Irlanda, Escócia, Gales e Cornualha. Alguns atravessaram de volta o Canal da Mancha se estabelecendo na região da Armórica, oeste da Gália (atual província francesa da Bretanha).
Os sete reinos foram assim distribuídos: os jutos ficaram com Kent; os anglos com East Anglia, Nortumbria e Mércia e os saxões com Wessex, Essex e Sussex.
c. 583Civ. IslâmicaMaomé entra para o comércio de caravanas trabalhando para uma rica viúva, Khadidja. Faz viagens até o norte da Síria, ocasião em que mantém contato com pessoas que professavam o judaísmo e o cristianismo, tendo ficado bastante impressionado com suas crenças monoteístas.
585PortugalVisigodos derrotam os suevos e extinguem o seu reino.
600 a 800Civilizações Pré-Colombianas / MaiasApogeu da civilização maia: embora remonte a uma época anterior ao ano 1000 a.C., o apogeu dos maias ocorreu entre os séculos VII e IX da nossa era. Portanto, quando os conquistadores espanhóis chegaram no século XVI, os maias já estavam em decadência há muito tempo, embora a cultura maia nunca tenha desaparecido totalmente (até hoje, ainda existem muitos povos que falam línguas derivadas do maia original).
Os maias ocupavam uma extensa área dos atuais territórios do México (península de Yucatan), Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras. Nunca se constituíram em um império; na verdade formavam um conjunto de cidades-estado que compartilhavam a mesma cultura. Os maias atingiram um grau surpreendente de conhecimento astronômico e matemático, com um calendário muito preciso e descobriram o conceito do número zero . Adotavam um sistema de numeração de base vinte e possuíam uma escrita hieroglífica que ainda não foi completamente decifrada. Seu declínio começou a partir do século X, não se sabendo as causas desse processo. Diversas hipóteses foram levantadas, tais como catástrofes naturais (terremotos ou erupções vulcânicas), fome devido ao esgotamento do solo, guerras entre cidades-estado, epidemias, etc. As ruínas de construções maias (templos, pirâmides, observatórios astronômicos, torres, etc) são muitas. Dentre as mais famosas, pode-se citar Chichen Itzá, Palenque, Copán, Tikal, Tulum.
610 a 641Império BizantinoReinado de Heráclio, primeiro imperador da dinastia heracliana.
Foi nesta dinastia que o Império Romano do Oriente se tornou efetivamente grego passando a se denominar Império Bizantino (Bizâncio era o antigo nome de Constantinopla). São adotadas a cultura, a língua e as instituições gregas. O latim deixa de ser o idioma oficial. O imperador passa a ser chamado de basileus (palavra grega para monarca, rei, imperador).
c. 610Civ. IslâmicaPrimeiras revelações a Maomé: segundo a tradição islâmica, em uma caverna (Hira), o anjo Gabriel teria entregado a Maomé uma mensagem revelando a existência de um Deus único. Esse é o texto inicial do livro sagrado do islamismo, o Alcorão (Corão).
A partir desse momento, Maomé começou a pregar uma crença baseada na fé em um Deus único (Alá) conclamando a todos para que abandonassem seus outros deuses e ídolos. Surgiu assim uma nova religião monoteísta, o Islamismo, designação derivada da palavra árabe "islam" que significa "submissão". Os adeptos desta religião passaram a ser chamados de maometanos (seguidores de Maomé) ou muçulmanos (termo oriundo da palavra árabe "muslim" que significa "aquele que se submeteu a Deus"). É interessante observar que na Idade Média, os cristãos chamavam os muçulmanos de sarracenos ou de mouros.
618 a 907ChinaDinastia Tang: período de progresso e estabilidade política.
622Civ. IslâmicaHégira: fuga do profeta Maomé de Meca para Yatribe (Medina). Esse evento marca o início do calendário muçulmano.
Devido à sua doutrina monoteista, Maomé passou a ser perseguido pelos coraixitas de Meca, os quais se sentiam ameaçados em seus interesses comerciais, já que viviam dos negócios gerados pelo politeísmo vigente que levava milhares de peregrinos à Caaba. Maomé, ameaçado de morte, decidiu fugir para Yatribe (depois, essa cidade teve seu nome mudado para Medina, a "cidade do profeta"). Tem inicio a guerra dos adeptos de Maomé contra os coraixitas. É a chamada "guerra santa" apregoada por Maomé, ou seja, a difusão do Islamismo através da força a todos os não-convertidos. Esse movimento acabou unificando as tribos árabes e possibilitou a rápida expansão da nova religião pelo mundo.
630Civ. IslâmicaMaomé e seus seguidores tomam Meca e destroem os ídolos existentes na Caaba.
632Civ. IslâmicaMorte de Maomé em Medina. Abu Bakr, sogro de Maomé, é escolhido como primeiro califa, ou seja, "sucessor do Profeta".
O livro fundamental do Islamismo é o Alcorão (Corão) que seria a palavra de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé. Não foi escrito diretamente por Maomé, sendo uma coletânea das anotações feitas pelos discípulos do profeta à medida que ele recebia as revelações divinas. Além do Alcorão, existe um outro livro, denominado Suna, compilado por sucessores de Maomé e que reúne ensinamentos e exemplos dados pelo profeta. Esse livro acabou provocando uma grande cisão na religião islâmica, surgindo duas seitas: a sunita que, além do Alcorão, segue também os preceitos expostos no Suna e a xiita que apenas aceita o Alcorão.
634 a 644Civ. IslâmicaOmar (Umar), antigo companheiro de Maomé que o havia acompanhado na fuga para Medina, sucede a Abu Bakr como califa. Durante seu governo se inicia o estabelecimento de um império teocrático muçulmano. Síria, Palestina, Egito e Pérsia são conquistados e convertidos à fé muçulmana.
635ChinaChegam os primeiros missionários cristãos. São monges nestorianos da Ásia Menor e Pérsia.
Nestorianismo era uma doutrina cristã criada por Nestório (380-451), patriarca de Constantinopla, que apregoava haver duas naturezas em Jesus Cristo, uma divina e outra humana e não uma única. Foi considerada heresia pelo Concílio de Éfeso em 431.
agosto 636Civ. IslâmicaBatalha de Yarmouk: árabes esmagam o exército bizantino na Síria. Primeira grande vitória muçulmana fora da Arábia e contra cristãos.
644 a 656Civ. IslâmicaOtman (Uthman) sucede a Omar. Expande o Islamismo pelo norte da África e conquista Chipre. Durante seu califado, foi estabelecido o texto final e oficial do Alcorão organizado em 114 capítulos (suras).
650EgitoCidade do Cairo é construída com material das ruínas de Mênfis, uma das capitais do Antigo Egito.
650ChinaSaad ibn Abi Waqqas, tio de Maomé e uma das primeiras pessoas convertidas ao islamismo, visita o país e marca a chegada da nova religião à China.
661 a 750Civ. IslâmicaDinastia Omíada, da seita sunita, com capital em Damasco, Síria: durante esta dinastia, a expansão islâmica se intensifica. Os árabes ocupam todo o norte da África e de lá partem para conquistar a Espanha. O Mediterrâneo se torna um "mar muçulmano". À leste, o domínio árabe chega até a Índia (vale do rio Indo). Em 750, a dinastia omíada chega ao fim sendo substituída pelos abássidas.
673 a 678Imp. BizantinoCerco árabe de Constantinopla: durante cinco anos uma esquadra árabe sitia a cidade de Constantinopla. O cerco marítimo só termina (678), quando os bizantinos usam o chamado "fogo grego" para afugentar o inimigo.
"Fogo grego" era um produto químico altamente inflamável que se incendiava em contato com a água, destruindo todas as embarcações dentro do seu raio de ação.
680 a 714FrançaPepino de Heristal, primeiro "prefeito do paço" a deter grande autoridade.
O título "prefeito do paço", em latim "major domus", era dado ao mais alto funcionário da corte, uma espécie de primeiro-ministro. Durante os reinados dos últimos representantes da dinastia merovíngia, os chamados "reis indolentes", o poder era exercido, de fato, pelos "prefeitos do paço".
691Civ. IslâmicaConstrução da grande mesquita "Cúpula da Rocha" no Monte do Templo, em Jerusalém, local onde, no passado, ficava o famoso Templo de Salomão.
710 a 784JapãoPeríodo Nara, assim chamado pois a capital do país ficava na cidade de Nara, chamada de Heijo na época. Foi uma época de florescimento das artes e literatura.
abril, 711Civ. Islâmica - EspanhaConquista árabe da Península Ibérica: mouros (árabes e bérberes do norte da África), sob o comando do general muçulmano Tárik, desembarcam no Rochedo de Gibraltar em 30 de abril. Em julho, as tropas muçulmanas derrotam Rodrigo, o último rei visigodo da Espanha na Batalha de Guadalete.
As primeiras cidades conquistadas pelos mouros foram Sevilha, Córdoba e Toledo. Nos anos seguintes, os muçulmanos dominaram, praticamente, toda a Península (com exceção do pequeno Reino das Astúrias). Estabeleceram sua capital em Córdoba que passou a ser, em toda a Europa, um dos centros mais brilhantes em riqueza, luxo e cultura. O longo período de domínio islâmico na Península Ibérica só terminou em janeiro de 1492, quando o último território árabe, a cidade de Granada, se submeteu aos chamados reis católicos, Fernão de Aragão e Isabel de Castela.
711ÍndiaMuhammad bin Qasim do califado de Damasco conquista a região de Sind e Punjab no noroeste indiano. Era a primeira das muitas incursões muçulmanas na Índia.
717Imp. BizantinoLeão III assume o trono e inaugura uma nova dinastia: a isauriana (isáurica) que se mantém no poder até 802.
722EspanhaBatalha de Covadonga: Pelágio, rei das Astúrias, inicia o movimento de Reconquista Cristã, ao derrotar os invasores muçulmanos. Mas a guerra para expulsão dos árabes da península Ibérica seria longa e penosa, durando mais de 700 anos.
726Imp. BizantinoInício do movimento iconoclasta, uma doutrina que se opunha ao culto das imagens (ícones).
Essa controvérsia religiosa abalou seriamente a vida do Império Bizantino durante mais de um século (726 a 842), colocando em campos opostos os defensores das imagens (ícones) e os chamados iconoclastas que repudiavam a representação e a adoração dos ícones. O primeiro grupo era liderado pela Igreja enquanto que o exército era a principal força de apoio ao movimento iconoclasta.
No auge da polêmica, o papa chegou mesmo a excomungar os iconoclastas e, em decorrência, passou a se servir, cada vez mais, dos reis francos (carolíngios) em substituição ao apoio que recebia dos imperadores bizantinos. Esse fato contribuiu para intensificar o distanciamento já existente entre cristãos ocidentais e orientais, podendo-se afirmar que a iconoclastia foi um dos fatores relevantes do Cisma da Igreja, consumado em 1054, separando os ramos latino e grego da cristandade.
outubro, 732FrançaBatalha de Poitiers (também conhecida como Batalha de Tours): Carlos Martel, filho de Pepino de Heristal, derrota os árabes e impede o avanço dos muçulmanos na Europa.
Devido a este feito, Carlos Martel recebeu do papa Gregório III o título de "herói da cristandade", aumentando em muito o prestígio político dos "prefeitos do paço".
750Civ. IslâmicaDinastia abássida, também sunita, derrota e substitui os omíadas. Capital do mundo islâmico é transferida de Damasco para Bagdá. Os abássidas ficam no poder até o ano de 1258.
751FrançaPepino, o Breve, filho de Carlos Martel, com apoio da Igreja Católica, depõe o último rei merovíngio, Childerico III, e assume o trono dos francos. Começa uma nova dinastia franca que viria a se chamar carolíngia (ou carlovíngia) em homenagem ao seu representante mais ilustre: Carlos Magno.
756Civ. Islâmica - EspanhaAbderramão I (Abd-al-Rhaman), neto de um califa omíada, se refugia na Espanha e funda o Emirado de Córdoba totalmente independente de Bagdá. Inicia-se a primeira dinastia muçulmana na Península Ibérica.
O processo de unificação da Espanha ocorreu ao longo dos séculos que marcaram a presença muçulmana na Península. Os pequenos reinos existentes, como Astúrias, Leão, Catalunha, Navarra foram se aglutinando em torno dos dois mais fortes, Castela e Aragão, os quais, por sua vez, foram reunidos, em 1469, quando do famoso casamento de Fernão de Aragão e Isabel de Castela.
756ItáliaCriados os Estados Papais com capital em Roma.
Esses estados mantiveram sua independência até 1870, quando as tropas do rei Vitor Emanuel II entraram em Roma e lá estabeleceram sua corte. Somente em 1929, o governo italiano reconheceu o Vaticano, um pequeno enclave dentro da cidade de Roma, sob jurisdição da Igreja Católica
768 a 814FrançaReinado de Carlos Magno: através de inúmeras guerras e expedições militares, Carlos Magno expande consideravelmente o reino franco a ponto de transformá-lo no Império Carolíngio.
A formação do Império se deu através da assimilação de vários povos bárbaros derrotados por Carlos Magno, tais como lombardos, bávaros, ávaros e eslavos. Apenas não foi bem sucedido ao tentar expulsar os mouros da Espanha. Os bascos se puseram em seu caminho nos Pirineus, obrigando-o a retroceder. Entre os povos vencidos, os saxões foram os que mais ferozmente lutaram, comandados pelo seu valente chefe Widukind.
Com a expansão do seu império, Carlos Magno foi obrigado a estabelecer uma estrutura política que garantisse a sua autoridade e possibilitasse uma administração eficaz. Assim, dividiu o império em ducados, condados e marcas (propriedades localizadas nas regiões fronteiriças do império), concedendo essas áreas a nobres (duques, condes e marqueses) que, além de cuidar de suas possessões, faziam executar as decisões do imperador. Periodicamente, inspetores (missi dominici) percorriam aqueles territórios para garantir o cumprimento das ordens imperiais.
774ItáliaCarlos Magno derrota os lombardos e extingue o seu reino.
786 a 809Civ. IslâmicaCalifado de Harun-al-Rachid marca o apogeu da dinastia abássida e, consequentemente, do império árabe islâmico. Nesta época, a cidade de Bagdá se tornou um dos centros culturais e econômicos mais importantes do mundo.
Muitas das histórias do livro clássico da literatura árabe "As Mil e Uma Noites" foram inspiradas na magnífica corte de Harun-al-Rachid. Após a sua a morte, a cultura árabe começou a perder influência na corte de Bagdá e os costumes persas passaram a predominar. No aspecto político e militar, foram os turcos que vieram a exercer mais poder, fato esse decorrente do grande contingente de soldados turcos que, durante muito tempo, foram recrutados para o exército islâmico.
789Civ. Islâmica / MarrocosPríncipe árabe Idris, descendente de Ali, genro de Maomé, se refugia no Marrocos para escapar de ser morto pelo califa de Bagdá. Lá funda o reino de Marrocos que se torna assim o segundo estado islâmico independente (o primeiro havia sido o califado de Córdoba, na Espanha).
Este fato foi um prenúncio da fragmentação do império árabe islâmico que viria a ocorrer tão rapidamente quanto havia sido sua expansão. Entre os principais motivos deste declínio, pode-se citar a enorme dificuldade em se manter uma unidade política num território tão vasto e habitado por povos de culturas tão diferentes. As disputas políticas e religiosas começaram a proliferar e a autoridade do califa passou a ser muito contestada. As pressões externas também aumentaram. Nos séculos seguintes, bizantinos, turcos, mongóis e cruzados cristãos intensificaram as lutas contra os árabes.
793Era VikingTribos vikings da Noruega atacam o mosteiro da ilha de Lindisfarne, na costa da Escócia, dando início à chamada Era Viking.
Após um periodo de cerca de três séculos sem ameaças bárbaras, já que esses povos acabaram se miscigenando com os antigos romanos, a Europa voltava a se atemorizar. Agora, os inimigos eram as tribos vikings provenientes da Escandinávia que iniciavam uma nova época de terror para a população européia. 
794 a 1185JapãoPeríodo Heian marca a última fase do chamado Japão clássico. Entre algumas das principais características dessa época estão a forte influência da cultura chinesa e uma rica literatura. A capital do país é transferida de Nara para Kioto. Os samurais, guerreiros aristocratas, ganham grande importância na sociedade.
25 de dezembro, 800Imp. CarolíngioCarlos Magno é sagrado imperador pelo Papa Leão III na antiga Igreja de São Pedro em Roma.
Dizem que estava rezando, quando o papa se aproximou e colocou sobre sua cabeça um diadema dos antigos imperadores romanos e teria dito "A Carlos Augusto, coroado por Deus, grande e pacífico imperador dos romanos, vida e vitória". Esta coroação era um antigo anseio da Igreja que necessitava de um império forte que viesse a ocupar o vácuo deixado pelos romanos como sustentáculo à Cristandade.