Período (d.C.)TemaEvento
28 de janeiro, 814Imp. CarolíngioMorte de Carlos Magno. Assume seu filho, Luis I, o Piedoso. Extremamente religioso, permitiu que a Igreja conduzisse a política de seu governo. Governou até 840, quando seus três filhos se rebelaram contra ele, destituindo-o e colocando-o em um convento.
Ao falecer com 72 anos, na cidade de Aachen, capital do seu Império (atualmente essa cidade, também conhecida pelo nome francês de Aix-la-Chapelle, está situada na Alemanha divisa com a Bélgica), o território carolíngio se estendia pelas áreas das atuais França, Alemanha, Áustria, Suíça, Países Baixos e norte da Itália. Carlos Magno havia sido consagrado como o verdadeiro senhor temporal da cristandade ocidental, tendo enfraquecido a influência do imperador bizantino sobre os cristãos.
820Imp. BizantinoMiguel II assume o trono e inaugura a dinastia amoriana, que fica no poder até 867. Como esse novo imperador era natural da Frígia (antigo reino localizado na Anatólia, atual Turquia), essa dinastia ficou também conhecida como dinastia frígia.
829InglaterraRei Egberto de Wessex reúne os sete reinos formados após a vitória das tribos germânicas sobre os bretões (577) e passa a ser considerado como o primeiro rei inglês.
c. 830Era VikingVikings intensificam seus deslocamentos e ataques pela Europa, principalmente na França.
842Imp. CarolíngioJuramento de Estrasburgo: acordo de lealdade mútua entre os três netos de Carlos Magno: Carlos, o Calvo; Luís, o Germânico e Lotário. Este foi o primeiro documento escrito em língua francesa.
842Imp. BizantinoMorre Teófilo II, último imperador adepto do movimento iconoclasta.
842 a 867Imp. BizantinoReinado de Miguel III: nesta época, dois irmãos missionários, Cirilo e Metódio, desenvolvem um intenso trabalho de evangelização e divulgação da cultura bizantina entre os povos eslavos.
O monge Cirilo, depois canonizado (São Cirilo), criou, em 862-863, o primeiro alfabeto eslavo (glagolítico) tendo como base o alfabeto grego. O objetivo principal deste alfabeto era facilitar a tradução da Bíblia para as línguas eslavas. Posteriormente, alguns discípulos de Cirilo transformaram o glagolítico no alfabeto cirílico, até hoje utilizado por muitos povos eslavos (russos, ucranianos, búlgaros, sérvios).
843Imp. CarolíngioTratado de Verdun estabelece a divisão do Império Carolíngio entre os netos de Carlos Magno: Carlos, o Calvo fica com a chamada Frância Ocidental (a antiga província romana da Gália e que viria a se tornar o reino da França); Luís, o Germânico recebe a região denominada Frância Oriental, território a leste do rio Reno e norte dos Alpes (que, mais tarde, iria se constituir no reino da Germânia e, posteriormente, no núcleo do Sacro Império Romano-Germânico), cabendo a Lotário uma vasta faixa de terra que se estendia do Mar do Norte até o sul da Itália passando pelo meio dos territórios de seus irmãos. Essa divisão, em breve, levaria ao esfacelamento do antigo Império Carolíngio, pois os três descendentes de Carlos Magno se viram impotentes para manter autoridade sobre um território tão extenso. Assistiram, assim, ao fortalecimento gradativo dos inúmeros nobres locais donos de terras e, consequentemente, à proliferação de pequenos estados autônomos (principados, ducados, condados), fragmentação essa que foi um dos traços marcantes do Feudalismo.
Feudalismo: Visão Geral
O feudalismo um sistema político-sócio-econômico que predominou durante os séculos X a XIII. Apesar de muitas diferenças regionais e temporais, o feudalismo foi encontrado em, praticamente, toda a Europa (e, até mesmo, nos territórios do Oriente Médio conquistados pelos cruzados), contudo sua plenitude se deu na França e na Inglaterra. (obs.: o termo feudalismo, curiosamente, só foi mencionado a partir do século XVII, quando a instituição já estava totalmente extinta). As características básicas deste regime foram:
1) fragmentação do poder político;
2) economia agrícola de subsistência;
3) mão-de-obra servil.
(1) Fragmentação do poder político: a doação de terras (feudos) para os nobres e mesmo para a Igreja levou ao enfraquecimento gradativo dos reis e imperadores. Inicialmente, as terras eram concedidas como usufruto em troca de serviços, contudo, ao longo do tempo, essas concessões tornaram-se hereditárias, acentuando-se desta maneira o empobrecimento real, pois, cada vez, os monarcas detinham menos terras. Esse processo veio a fortalecer os inúmeros senhores feudais, os quais passaram a exercer mais e mais poderes (político, econômico, judiciário, etc) no âmbito de suas respectivas jurisdições. A organização política feudal era baseada nas chamadas relações de dependência pessoal (vassalagem) formando uma pirâmide hierárquica que se estendia do soberano (rei ou imperador), que ocupava o nível mais alto da hierarquia, até os servos (camponeses).
(2) Economia agrícola de subsistência: a economia feudal era baseada intensamente na agricultura e tinha como ponto central o feudo, já que as cidades perderam toda a importância econômica que haviam desfrutado no passado. O comércio era pouco desenvolvido, quase não havendo utilização de moeda. O mais comum eram as trocas de mercadorias feitas nas feiras locais. Isto ocorria para suprir a inexistência de certos produtos, como o sal, ou quando os camponeses buscavam obter algum artesanato a partir do excedente de sua produção agrícola. Apesar da produtividade agrícola ser muito baixa devido aos métodos rudimentares empregados, os feudos procuravam ser o mais auto-suficiente possível. Para isso, praticavam-se também muitas atividades artesanais voltadas para a fabricação de tecidos, móveis, utensílios domésticos, armas, instrumentos agrícolas, etc.
(3) Mão-de-obra servil: o trabalho nos feudos era exercido pelos servos que, embora não fossem escravos, eram totalmente vinculados à terra e dependentes dos seus senhores, aos quais deviam prestar serviços e pagar tributos em troca da proteção que recebiam. O surgimento da figura do servo se deve, em grande parte, às incursões dos vikings, muçulmanos e magiares. Como os camponeses se tornavam presas fáceis durante esses ataques, começaram a procurar a proteção de seus vizinhos mais fortes, possuidores de armas e que habitavam castelos fortificados onde poderiam se abrigar. Aos poucos, esses lavradores foram abrindo mão de sua independência em prol da maior segurança que obtinham junto aos nobres poderosos o que, com o tempo, acabou por ligá-los definitivamente ao feudo onde viviam.
A sociedade feudal era bastante hierarquizada e com pouca mobilidade, constituída de três camadas: o clero, a nobreza (duques, marqueses, condes, viscondes, barões e cavaleiros) e os trabalhadores (servos e artesãos). Dizia-se, pois, que a sociedade era composta pelos que rezavam, os que guerreavam e os que trabalhavam. Os senhores feudais, detentores das terras, possuíam total autoridade sobre os servos de sua jurisdição os quais estavam vinculados ao solo onde habitavam. Caso o feudo mudasse de mãos, os servos também estariam incluídos na transação. De uma maneira geral, eles cultivavam um lote de terra do senhor feudal, em regime vitalício, em troca de uma série de obrigações que eram obrigados a pagar, em dinheiro, produtos ou trabalho, tornando ainda mais miserável a vida dos servos.
Cavaleiros eram guerreiros aristocratas que se punham a serviço de reis ou senhores feudais atuando, principalmente, na proteção dos feudos. O clero também se beneficiava do espírito de luta dos cavaleiros, instigando-os a serem bons cristãos e a colocarem sua coragem e valentia a serviço da Igreja. O aspirante à cavalaria tinha de ser um nobre capaz de arcar com a aquisição dos caros apetrechos exigidos pelo ofício (armadura, capacete, espada, lança, esporas de ouro ou prata), além da montaria. Tinha de se submeter a uma árdua disciplina e muitos anos de treinamento. Ao fim do seu período de aprendizagem era, finalmente, recebido na ordem da cavalaria através de uma cerimônia cheia de rituais. A cavalaria (calcula-se que tenha havido mais de 200 ordens) tornou-se uma instituição intimamente associada ao feudalismo.
A vida dos servos: além de trabalharem exaustivamente, os servos deviam inúmeras obrigações aos seus senhores. Moravam em choupanas, muitas vezes, com um único cômodo que compartilhavam com os animais domésticos. O piso era a terra nua encharcada pela neve ou pela chuva. Sua cama era uma caixa de palha. A promiscuidade, a falta de higiene e a alimentação precária (pão preto, algumas verduras de sua horta, queijo e sopa, carne e peixes salgados) propiciavam a propagação de doenças. Na verdade, a única esperança que vislumbravam era uma vida melhor após a morte. Não admira que, ao se aproximar o ano 1000, a maioria dos camponeses esperou, com alegria, a chegada do fim do mundo!
As obrigações dos servos para com seus senhores: entre as principais estavam os tributos anuais em dinheiro (capitação ou imposto per capita; um pequeno aluguel, denominado censo ou foro; uma percentagem sobre a produção, chamada taille); as banalidades (importância paga ao senhor pelo uso do moinho de trigo, do forno de pão, do lagar para espremer as uvas, dos tonéis para fazer cerveja) e a corvéia (trabalho forçado que os servos eram obrigados a prestar no domínio senhorial ou então tarefas nas áreas comuns, tais como construir cercas, consertar estradas e pontes, drenar pântanos, abrir valas, erguer diques). Em alguns casos, esse serviço compulsório podia chegar até a 3 dias por semana. Um cálculo mostrou que, em algumas regiões, dois terços da produção do servo eram destinadas ao pagamento de obrigações feudais!
Como era o feudo: era uma unidade territorial que tinha no centro, normalmente, um castelo feito de pedra, muitas vezes erguido sobre uma elevação do terreno e cercado por muralhas ou fossos. Estas construções fortificadas não eram nem um pouco confortáveis. Seu objetivo principal era a segurança. Os cômodos eram escuros e úmidos com poucas janelas de tamanho reduzido, sendo as paredes totalmente nuas. No castelo, habitava o senhor feudal, sua família e seus agregados. Em ocasiões de guerra ou perigo, os habitantes do feudo também se abrigavam ali. As terras de um feudo eram, geralmente, divididas em 3 partes: uma reserva senhorial que ocupava de 30 a 40% da área total do feudo; os lotes dos servos que podiam variar de 40 a 50% do todo e uma área restante de terras comuns com pastos e bosques, onde senhores e camponeses podiam colocar seus animais para pastar, colher frutos ou extrair madeira. Nesta área também se praticava a caça, prerrogativa dos nobres.
Declínio do feudalismo: o sistema começou a enfraquecer a partir do final do século XIII. Muitas são as causas da decadência das instituições feudais, mas certamente o principal fator foi o restabelecimento do poder dos reis e o surgimento das verdadeiras monarquias nacionais. Na França, isto se deu após a vitória na Guerra dos Cem Anos e, na Inglaterra, após a Guerra das Duas Rosas que aniquilou a aristocracia feudal e abriu caminho para o absolutismo. Alguns resquícios do feudalismo persistiram durante muito tempo: na França, até a Revolução Francesa; na Alemanha até meados do século XIX e na Rússia até a Revolução de 1917.
844Era VikingVikings iniciam os ataques às costas de Portugal e Espanha.
859MarrocosFundação da Universidade de Karueein na cidade de Fez, considerada a mais antiga do mundo.
859Era VikingVikings transpõem o estreito de Gibraltar e atacam o sul da França (Provença) e a Itália.
862Era VikingChefe Rurik funda a cidade de Novgorod, na Rússia.
866Era VikingApós muitos anos de incursões voltadas, exclusivamente, para saques e pilhagens, vikings dinamarqueses (danos) mudam de estratégia e decidem, efetivamente, ocupar a Inglaterra.
867 a 886Imp. BizantinoReinado de Basílio I, considerado um dos melhores imperadores bizantinos, tendo promovido inúmeras reformas no governo.
Esse reinado inaugurou a dinastia macedônica que se manteve no trono por quase 200 anos (867 a 1056) e, excluindo-se uma conturbada fase final (a partir de 1025), marcou um dos períodos de maior pujança do Império Bizantino, tanto na política externa quanto nos negócios internos.
c. 870Era VikingIslândia é descoberta e colonizada pelos vikings.
871 a 899InglaterraReinado de Alfredo, o Grande: defendeu bravamente o país contra os ataques dos vikings.
877FrançaCarlos, o Calvo institui o princípio da hereditariedade dos feudos fortalecendo enormemente o sistema feudal.
Essa medida, estabelecida através de um decreto real (capitular Quirzy-sur-Oise), juntamente com a divisão do Império Carolíngio e a invasão dos vikings (normandos), enfraqueceu o poder central e favoreceu o surgimento do feudalismo.
885Era VikingVikings sitiam Paris.
886Era Viking / InglaterraTratado firmado entre Alfredo, o Grande e o chefe dinamarquês Guthrum estabelece um território viking no nordeste da Inglaterra, o chamado Danelaw.
886 a 912Imp. BizantinoReinado de Leão VI: possuidor de vasto conhecimento, era considerado sábio e filósofo. Foi o maior legislador bizantino depois de Justiniano. Traduziu para o grego toda a obra (Corpus Juris Civilis) daquele imperador, a qual havia sido escrita em latim.
c. 900Era VikingGroenlândia é descoberta pelos vikings.
909FrançaFundação da abadia beneditina de Cluny na Borgonha pelo abade Bernon.
Essa abadia exerceu enorme influência sobre a cristandade durante cerca de dois séculos. No seu período áureo, Cluny chegou a ter em torno de 200 mosteiros subordinados a ela. Foi em Cluny que surgiu um importante movimento reformista da Igreja, visando entre outras coisas afastar a interferência de reis e imperadores nos assuntos eclesiásticos (Questão das Investiduras).
911Era Viking / FrançaPara aplacar a fúria dos vikings, o rei Carlos, o Simples doa uma vasta extensão de terra no norte da França como feudo ao chefe Rollon, dando origem, assim, ao Ducado da Normandia.
911Imp. CarolíngioMorte de Luís, o Menino, último rei da dinastia carolíngia na chamada França Oriental (Germânia). É criado, então, o Reino da Germânia (embrião do futuro Sacro Império Romano-Germânico), uma monarquia diferente, na qual o rei era escolhido por alguns nobres e clérigos chamados de "eleitores".
No início, os eleitores eram sete: três religiosos (arcebispo de Mainz, arcebispo de Trier e arcebispo de Colônia) e quatro nobres (rei da Boêmia, duque da Saxônia, duque do Palatinado e marquês de Brandenburg). Mais tarde, foram admitidos outros eleitores, entre eles, o duque da Baviera.
929Civ. Islâmica - EspanhaEmirado de Córdoba assume maior importância ao ser transformado em califado, passando a governar Espanha e Portugal islâmicos bem como parte do norte da África até o ano 1031.
941Imp. BizantinoRussos ameaçam Constantinopla que é salva, novamente, graças ao "fogo grego" (produto químico altamente inflamável que se incendiava em contato com a água, destruindo todas as embarcações dentro do seu raio de ação).
c. 950ChinaInvenção do papel-moeda.
958 a 986Era Viking / DinamarcaReinado do viking Haroldo Dente-Azul (Harald Blatand): por um breve período, consegue a junção da Dinamarca com o reino da Noruega. Convertido ao Cristianismo, incentiva sua disseminação na Dinamarca.
962Sacro Império Romano-GermânicoOto I, rei da Germânia, é sagrado imperador pelo papa João XII. O papado busca com essa medida criar um estado poderoso capaz de proteger a Igreja, ou seja, um legítimo sucessor do Império Carolíngio. Nasce, assim, o império que viria a ser chamado de Sacro Império Romano-Germânico.
O território do Sacro-Império Romano Germânico sofreu muitas modificações ao longo do tempo mas, de uma maneira geral, englobava regiões da Europa Central (Alemanha, Áustria, Suíça, Boêmia, Morávia, Hungria), Países Baixos (Holanda e Bélgica) e partes do norte da Itália. Apesar de sua fragilidade, esse império perdurou por quase 900 anos, sendo extinto, em 1806, por pressão de Napoleão Bonaparte.
Cabe explicar que a concessão do título de imperador era prerrogativa do papa. Assim, o rei escolhido pelos eleitores germânicos, somente, assumia o trono imperial após o beneplácito papal, o que podia levar alguns anos ou, até mesmo, nunca ocorrer, como aconteceu nos momentos mais tensos da disputa entre o Império e o papado.
969Civ. Islâmica / EgitoOs fatímidas (assim chamados por se considerarem descendentes de Fátima, filha de Maomé), assumem o poder no Egito e criam um outro califado.
976 a 1025Imp. BizantinoReinado de Basílio II, o mais longo da história bizantina. Durante seu governo, o Império alcança sua maior extensão: Bálcãs; Ásia Menor; Síria; Mesopotâmia; Armênia; região do Adriático e Itália meridional.
c. 982 a 986Era VikingComandados por Erik, o Vermelho, vikings iniciam a exploração e colonização da Groenlândia.
987FrançaMorte de Luís V, último rei da dinastia carolíngia.
987 a 996FrançaReinado de Hugo Capeto, primeiro rei da dinastia dos Capetos (capetíngia ou capetiana). Entre os principais reis desta dinastia, destacaram-se: Filipe Augusto, Luís IX (São Luis) e Filipe IV (Filipe, o Belo).
997ÍndiaTem início uma série de ataques muçulmanos, conduzidos pelo chefe turco Mahmud, ao norte e noroeste do país.
988RússiaPríncipe Vladimir, o Grande, do Principado de Kiev se converte ao Cristianismo.
O Principado de Kiev ou Rússia Kievana foi um estado eslavo, com capital em Kiev, que durou do século IX ao século XII. É considerado o antecessor da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia atuais.
1000Era VikingLeif Ericson, filho de Erik, o Vermelho, parte da Groenlândia e chega à América do Norte, nas costas do atual Canadá. Na Ilha de Terra Nova (Newfoundland) , os vikings fundam a colônia de Vinland de curta duração, provavelmente, devido aos constantes conflitos com os nativos da região.
Acredita-se que, além da Ilha de Terra Nova, os vikings possam ter estado nas regiões da Ilha de Baffin e Península do Labrador. É interessante notar ter isto ocorrido cerca de 500 anos antes da viagem de Cristóvão Colombo.