Período (d.C.)TemaEvento
c. 1013Era Viking / InglaterraPraticamente toda a Inglaterra em poder dos vikings dinamarqueses. A conquista se concretiza com a ascensão ao trono inglês de um rei dinamarquês, Canuto.
1016 a 1035Era Viking / InglaterraReinado de Canuto, o Grande, rei viking da Inglaterra, Dinamarca, Noruega e Suécia que, com habilidade, faz uma integração pacífica entre os anglo-saxões e seus compatriotas.
1031Civ. Islâmica - EspanhaMorre Hisham III, última pessoa a deter o título de califa de Córdoba. O território do califado é então fragmentado em mais de 40 pequenos reinos islâmicos independentes, as taifas.
1042 a 1066InglaterraReinado de Eduardo, o Confessor. Levou para a Inglaterra a língua, os costumes e amigos franceses, começando a conquista normanda antes mesmo da chegada de Guilherme, o Conquistador.
1046Era Viking / ItáliaNormandos (vikings estabelecidos na Normandia) chegam ao sul da Itália e Sicília, expulsam sarracenos (árabes) e bizantinos assumindo o domínio da região.
c. 1050ChinaBi Sheng inventa o primeiro sistema de impressão conhecido usando tipos móveis feitos de argila. Posteriormente, os chineses passaram a utilizar tipos de madeira.
1054Imp. BizantinoGrande Cisma do Oriente : separação definitiva da Igreja Ortodoxa Bizantina (oriente) da Igreja Católica Romana (ocidente). O rompimento se efetiva quando emissários do Papa Leão IX colocam sobre o altar da Igreja de Santa Sofia a bula de excomunhão contra o patriarca bizantino Miguel Cerulário e seus seguidores.
Causas do Grande Cisma: o ato de excomunhão do patriarca bizantino encerrou um longo período de afastamento entre as duas igrejas, devido a causas diversas, tais como: diferenças de doutrinas e liturgias; recusa da igreja bizantina em aceitar a supremacia do papa em questões teológicas; interferência dos imperadores bizantinos na condução dos assuntos religiosos (cesaripapismo); divergência entre as duas igrejas durante o movimento iconoclasta (a igreja de Roma era fortemente contrária aos iconoclastas).
1055Civ. IslâmicaTurcos seljúcidas conquistam Bagdá e se estabelecem como protetores do decadente califado Abássida.
Esse fato marca, em termos práticos, o fim do império árabe islâmico, apesar de grande parte do seu território continuar ainda sob domínio de povos que haviam adotado a religião muçulmana: inicialmente, os turcos seljúcidas e, posteriormente, os turcos otomanos.
setembro 1066Era Viking / InglaterraHarald Hardrada, rei viking da Noruega, alegando direito ao trono inglês devido a parentesco com Canuto, invade a Inglaterra mas é derrotado pelo rei inglês Haroldo II, na Batalha de Stamford Bridge. Poucas semanas depois, o próprio Haroldo II seria vencido por Guilherme, o Conquistador.
14 de outubro, 1066Era Viking / InglaterraBatalha de Hastings: normandos (vikings estabelecidos na Normandia), comandados por Guilherme, duque da Normandia (depois conhecido como Guilherme, o Conquistador), atravessam o canal da Mancha, derrotam Haroldo II (último rei anglo-saxão) e assumem o poder.
1071Era Viking / ItáliaNormandos tomam a estratégica fortaleza de Bari, encerrando a presença bizantina na região.
26 de agosto, 1071Imp. BizantinoBatalha de Manzikert: turcos da dinastia seljúcida (antecessores dos otomanos) impõem aos bizantinos uma das maiores derrotas de sua história. Nessa batalha, próxima à Armênia, o próprio imperador Romano IV Diógenes cai prisioneiro tendo que pagar pesado resgate ao sultão para ser liberado.
1076Sacro Império Romano-Germânico / PapadoQuestão das Investiduras: o movimento reformista da Abadia de Cluny preconizava, entre outras coisas, que nenhum cargo eclesiástico poderia ser concedido por um príncipe ou imperador (investidura leiga). Quando o Papa Gregório VII institui esta proibição, o imperador Henrique IV reage energicamente, dando início a anos de confrontos entre o Império e o papado.
1076 a 1254ItáliaConflitos entre gibelinos (partidários do imperador) e guelfos (defensores do papado), iniciados com a Questão das Investiduras, se estendem por quase 200 anos e banham de sangue a Península Itálica.
Durante todos estes anos de conflito entre o Sacro Império Romano-Germânico, que detinha vastas extensões do norte da Itália, e os Estados Papais (parte central da Península Itálica), as cidades-estado italianas se alinhavam a favor de um ou outro contendor. Assim, guerras entre as cidades se tornaram comuns; muitas vezes as vitoriosas anexando suas vizinhas. Esse processo de consolidação propiciou o surgimento de poderosas cidades-estado, umas baseadas em forças terrestres, como Florença, e outras no poderio marítimo, as chamadas repúblicas marítimas, como Veneza, Gênova, Pisa, Amalfi, Ancona e outras.
1079 a 1142FrançaVida de Pedro Abelardo, um dos mais ilustres teólogos e filósofos do século XII.
Sua obra mais importante foi "Dialética". Teve um famoso envolvimento amoroso com Heloisa, sobrinha de um cônego da Notre Dame que, ao saber do romance, mandou castrá-lo. Ambos estão enterrados em Paris, no cemitério Père Lachaise.
1081 a 1118Imp. BizantinoReinado de Aleixo I Comneno que inaugura a dinastia comnena que fica no poder até 1185.
Ao assumir o poder, Aleixo I se viu diante de um cenário desalentador, sendo notória a dissolução do Império. Além da perda da Itália para os normandos, os turcos já dominavam a Ásia Menor, a Mesopotâmia e a Armênia. Na esfera econômica, o Império começava a sofrer a concorrência das agressivas políticas comerciais das cidades italianas, principalmente Veneza e Gênova. Além de turcos e normandos, os bizantinos tinham outros inimigos como os sérvios e os pechenegues, uma feroz tribo da Ásia Central. Como o Império não tinha mais força para lutar sozinho contra tantos inimigos, foi obrigado a fazer alianças e a solicitar auxílio ao Ocidente para que enviasse mercenários. Esse pedido bizantino foi interpretado pelo papa Urbano II como a necessidade para uma guerra santa contra os muçulmanos (Cruzadas) visando não somente auxiliar os cristãos bizantinos, como também reconquistar Jerusalém e toda a Terra Santa.
1085EspanhaAfonso VI, rei de Leão, Castela e Galicia, toma Toledo dando início à expulsão dos mouros da Espanha.
1088ItáliaFundação da Universidade de Bolonha, a mais antiga da Europa.
novembro, 1095CruzadasConcílio de Clermont: Papa Urbano II profere um inflamado discurso, convocando a cristandade para uma forte ação militar contra os muçulmanos, visando não só impedir o avanço dos infiéis na Europa oriental, como também reconquistar Jerusalém e toda a Terra Santa. Assim, tem início o movimento das Cruzadas.
As Cruzadas foram expedições de caráter militar-religioso organizadas ou apoiadas pelo papado, podendo ser interpretadas como um movimento de contra-ofensiva da cristandade ocidental frente ao avanço do islamismo que já dominava a Espanha desde o século VIII e se espalhava por outras regiões do Mediterrâneo. Contudo as causas das Cruzadas não foram só religiosas, mas também econômicas. Ao longo do tempo, o objetivo inicial de uma "guerra santa" contra os muçulmanos foi desvirtuado, pois surgiram cruzadas contra os próprios cristãos, como foi o caso da IV Cruzada contra os bizantinos e a cruzada contra os cátaros (Cruzada Albigense). Oficialmente foram oito Cruzadas (a chamada IX Cruzada tem sido considerada um mero desdobramento final da VIII) mas outras expedições não-oficiais ocorreram neste período que se estendeu do Concílio de Clermont (1095) até a queda do último reduto cristão no Oriente em 1291. O nome Cruzadas deriva do fato de que os combatentes que se engajavam nestas expedições trajavam vestes ostentando uma cruz de pano vermelho.
Causas religiosas:
1) fervor religioso do homem medieval: a oportunidade de lutar contra os "infiéis" muçulmanos e conquistar a Terra Santa era um apelo muito forte para os cristãos medievais, principalmente considerando as indulgências concedidas a eles pela Igreja: perdão de todos os pecados e garantia de salvação àqueles que tombassem nesta "guerra considerada santa".
2) fortalecimento do poder papal: num período em que o papado estava sendo muito questionado (Cisma da Igreja em 1054 separando a igreja latina da bizantina e Questão das Investiduras em 1076 contra o Sacro Império), uma guerra contra os chamados infiéis seria um ótimo pretexto para reunir os cristãos em apoio ao papa, aumentando o seu prestígio e poder.

Causa econômica: as cruzadas se constituíram em uma solução para o grave problema demográfico que ameaçava seriamente o sistema feudal. A escassez de terras, a diminuição da fertilidade do solo, o aumento da prole dos nobres aliado ao fato de os feudos serem herdados apenas pelos filhos primogênitos, criou uma classe de nobres sem perspectiva, revoltados e hostis, continuamente envolvidos em lutas e pilhagens. Assim, o discurso do papa Urbano II conclamando os nobres a pegarem em armas para tomarem a Terra Santa dos muçulmanos veio, imediatamente, ao encontro dos interesses de uma parte da nobreza amante de combates e ávida pela conquista de algum território.
1096InglaterraFundação da Universidade de Oxford.
1096PortugalAfonso VI, rei de Leão, doa a província Portucalense (atual região da cidade do Porto até Coimbra) como feudo para Henrique de Borgonha que estava ajudando os leoneses na campanha da Reconquista contra os mouros. Quando Afonso VI morreu, Henrique de Borgonha se recusou a continuar sendo vassalo de Leão o que ocasionou uma série de escaramuças entre os dois reinos.
1096CruzadasCruzada Popular ou dos Mendigos: enquanto a nobreza ainda se preparava para a luta, um grupo de fiéis exaltados, oriundo das baixas camadas sociais, partiu em direção a Jerusalém, sob a liderança do místico religioso, Pedro, o Eremita. Sem organização, armamento e abastecimento, esses fanáticos foram dizimados pelos turcos ao chegar à Ásia Menor.
Ao longo do caminho, esses grupos de camponeses, principalmente franceses e alemães, passaram a roubar e saquear cidades. Em alguns lugares da Alemanha e da Boêmia, comunidades judaicas foram massacradas pelos miseráveis. Ao chegar a Constantinopla, o imperador bizantino, preocupado com os problemas que aqueles bandos de ignorantes poderiam causar, providenciou transporte para que seguissem em frente, rumo à Ásia Menor, onde foram aniquilados.
1096 a 1099CruzadasPrimeira Cruzada: chamada de Cruzada dos Nobres, dos Barões ou dos Cavaleiros, por não haver tido a participação de nenhum rei. Formada por vários exércitos feudais, em sua maioria franceses, sendo supervisionados pelo representante do papa. Seguindo por diferentes rotas, os cruzados (alguns autores falam em cerca de 300 mil pessoas) começaram a se reunir em Constantinopla. O imperador bizantino Aleixo I Comneno exigiu dos chefes cruzados, em troca de seu apoio, um compromisso de que as terras retomadas aos turcos fossem devolvidas ao Império. Contudo, esse acordo, por contrariar os interesses particulares dos cruzados, foi logo desrespeitado.
Os principais nobres desta cruzada foram: a) Raimundo de Saint-Gilles, conde de Toulouse que liderava os cavaleiros do sul da França e era acompanhado pelo representante papal; b) Boemundo de Tarento e seu sobrinho Tancredo que comandavam os normandos do sul da Itália; c) Godofredo de Bulhão e seu irmão Balduíno de Bolonha cujas tropas eram formadas por franceses do leste e alemães; d) exército do norte da França liderado pelo conde Roberto II de Flandres, Roberto da Normandia (irmão do rei Guilherme II da Inglaterra) e Hugo de Vermandois (irmão do rei francês, Filipe I).
outubro, 1097CruzadasCruzados chegam a Antioquia na Síria. Como a cidade era dotada de altas muralhas e muito bem defendida, resistiu por muitos meses.
março, 1098CruzadasCriado o Condado de Edessa (1098 a 1150), primeiro estado cruzado (ou estado franco, como os cruzados eram genericamente denominados). Seu governo coube inicialmente a Balduino de Bolonha.
junho, 1098CruzadasAntioquia é tomada pelos cruzados que exterminam a maioria dos seus habitantes.
1099CruzadasNo início do ano, os cruzados iniciam a marcha em direção a Jerusalém, deixando Boemundo de Taranto como governante do Principado de Antioquia (1098 a 1268), segundo estado criado pelos cruzados no Oriente.
15 de julho, 1099CruzadasTomada de Jerusalém: em maio de 1099, os cruzados iniciam o cerco de Jerusalém. Depois de aproximadamente dois meses, Jerusalém é conquistada com incrível brutalidade. Quase todos os habitantes (muçulmanos, judeus e até cristãos orientais) são barbaramente massacrados.
1099CruzadasCriação do Reino Latino de Jerusalém, estado que dura até a queda da Fortaleza de São João d'Acre em 1291. Seu primeiro governante é Godofredo de Bulhão que toma o título de "Defensor do Santo Sepulcro".
1100CruzadasCom a morte de Godofredo de Bulhão, seu irmão Balduino de Bolonha, primeiro governante do Condado de Edessa, é coroado rei de Jerusalém.
c. 1100Civilizações Pré-Colombianas / ToltecasOs toltecas dominaram partes do México central e antigos territórios dos maias, tendo seu apogeu entre os séculos X e XII. Sua capital era Tula. Os toltecas eram um povo militar que utilizava trabalho escravo dos povos vizinhos para fazer suas construções. Por volta de 1350, os toltecas, já em declínio, deram lugar aos astecas.
1102CruzadasCriação do Condado de Trípoli (1102 a 1288), último estado cruzado a ser constituído. Ficava localizado entre o Principado de Antioquia, ao norte, e o Reino de Jerusalém, ao sul. Seu primeiro governante foi Raimundo de Saint-Gilles, conde de Toulouse. (obs.: Trípoli era uma cidade do atual Líbano. Não confundir com a cidade de Trípoli, capital da Líbia).
Os quatro estados latinos no Oriente (Condado de Edessa, Principado de Antioquia, Condado de Trípoli e Reino de Jerusalém) eram unidades políticas criadas artificialmente e organizadas segundo o regime feudal que predominava na Europa ocidental. A distância que se encontravam do Ocidente, as rivalidades existentes entre os próprios cristãos latinos (francos) e a ameaça constante de bizantinos e muçulmanos não permitiram que estes estados durassem muito.
1113Ordens Militares-ReligiosasFundação da Ordem dos Cavaleiros do Hospital de São João, depois conhecida como Ordem dos Hospitalários. Inicialmente, era apenas uma comunidade voltada para cuidar dos peregrinos pobres, transformando-se mais tarde em uma ordem militar.
1118 a 1143Imp. BizantinoReinado de João II, considerado um dos principais imperadores bizantinos.
25 de dezembro, 1119Ordens Militares-ReligiosasHugo de Payns e outros oito cavaleiros franceses fundam a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Jesus Cristo, instituição de caráter tanto militar como religioso criada para proteger os peregrinos, principalmente nas perigosas estradas que iam do porto de Jafa, onde normalmente eles desembarcavam, até Jerusalém.
A partir do século IX, aumentou o interesse dos fiéis em conhecer a Terra Santa. Devido à forte presença muçulmana na região e à hostilidade crescente para com os cristãos, essas peregrinações foram se tornando mais difíceis e perigosas. Mas, foi somente após a Primeira Cruzada com a tomada de Jerusalém pelos cristãos (1099), que começaram a surgir as ordens de monges-guerreiros voltadas, inicialmente, para a proteção dos peregrinos que se dirigiam para a Palestina. Assim, foram criadas as ordens dos Cavaleiros Hospitalários, em 1113, dos Cavaleiros do Templo (Templários) em 1119 e dos Cavaleiros Teutônicos em 1192.
Por que Templários?: o rei Balduino II de Jerusalém concedeu a esses cavaleiros o direito de utilizar um espaço no seu palácio instalado na mesquita de al-Aqsa, no monte do Templo (local onde outrora se situava o Templo de Salomão). Em virtude disso a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Jesus Cristo passou a ser conhecida como "Os Cavaleiros do Templo de Salomão", "Os Cavaleiros do Templo" ou simplesmente "Os Templários". Inicialmente, os cavaleiros vestiam um manto branco. Anos depois, receberam do papa autorização para costurarem uma cruz vermelha no manto.
1122Sacro Império Romano-GermânicoConcordata de Worms estabelece a supremacia papal na Questão das Investiduras.
janeiro, 1129TempláriosConcílio de Troyes estabelece as regras para a Ordem dos Templários. Entre elas, a de que o grão-mestre deveria estar subordinado apenas ao papa.
O apoio dado à criação da Ordem dos Templários por Bernardo de Clairvaux (um dos mais influentes líderes espirituais da época, futuro São Bernardo), foi certamente um fator de grande importância para o prestígio que a Ordem começou a desfrutar.
1138Sacro Império Romano-GermânicoA coroa imperial passa a ser hereditária. Inicialmente, esse privilégio cabe à família Hohenstaufen da Suábia que se mantem no trono imperial até 1254. Seus membros mais notáveis são Frederico Barbaruiva, participante da Terceira Cruzada e seu neto Frederico II, líder da Sexta Cruzada.
Os governantes dessa dinastia almejavam tornar o Império o estado mais poderoso da Europa e de toda a cristandade ocidental, mas tal objetivo nunca foi atingido devido, principalmente, às constantes lutas contra a Igreja.
julho, 1139PortugalBatalha de Ourique: D. Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha, derrota os mouros e se auto-proclama rei de Portugal com o título de D. Afonso I.
1139 a 1145TempláriosDiversas bulas papais expedidas neste período concedem inúmeros privilégios à Ordem tais como proteção papal, isenção de impostos, direito de reter os espólios das lutas contra os muçulmanos, de construir suas próprias igrejas, de enterrar seus mortos nos cemitérios dessas igrejas e de cobrar tributos em suas propriedades.
Em pouco tempo, a Ordem dos Templários começou a crescer em prestígio e riqueza. Além dos privilégios concedidos pela Igreja, os templários passaram a receber, em muitos países da Europa, grande quantidade de doações em dinheiro e propriedades, o que os obrigava a recrutarem novos membros para administrar esse enorme patrimônio bem como cuidar do envio de recursos para a Terra Santa. Logo, assumiram o papel de banqueiros, atuando na guarda e transferência de fundos, além da concessão de empréstimos a diversos reinos, o que demonstra seu grande poder econômico. Construíram igrejas e castelos. A sede da Ordem em Paris, denominada "O Templo", misto de fortaleza, igreja e castelo, era território neutro, fora da jurisdição do rei francês. Os Cavaleiros Templários se tornaram um grupo de elite, muito bem aceito e influente entre reis e nobres. Contudo, todo esse poder começou a gerar, pouco a pouco, muitos ressentimentos, principalmente, devido ao exagerado orgulho e postura arrogante que exibiam.
1143 a 1180Imp. BizantinoReinado de Manuel I: seu sonho era ser coroado imperador do Ocidente, restabelecendo assim a unidade do Império Romano. Para tal, exerceu uma política visando extinguir o cisma religioso e reunir as igrejas grega e latina.
1144CruzadasMuçulmanos retomam Edessa. Surge então a idéia de uma nova cruzada para recuperar o Condado de Edessa e fortalecer as outras posições latinas no Oriente. Bernardo de Clairvaux (futuro São Bernardo) se torna o principal incentivador desta nova expedição contra os muçulmanos.
1145Cátaros - FrançaMissão de Bernardo de Clairvaux ao Languedoc, sul da França, constata o crescimento dos cátaros na região.
Os cátaros eram uma seita cristã herética (isto é, contrária à doutrina oficial da Igreja) estabelecida em todo o sul da França durante os séculos XII e XIII. Como uma das principais cidades do movimento era a cidade de Albi, eles ficaram também conhecidos como albigenses. (Obs.: a palavra cátaro significa "puro" em língua grega).
Crença dos cátaros: acreditavam na dualidade de tudo: havia um Deus de bondade cujo mundo era espiritual e um outro malévolo que havia criado o mundo físico. Assim, todas as coisas do mundo material eram condenadas por serem más. Para se salvar, o homem deveria se libertar de todas as coisas terrenas. Rejeitavam o Velho Testamento e todos os sacramentos e símbolos da Igreja como a cruz (consideravam-na blasfema, pois representava o sofrimento divino), o batismo, a eucaristia, o casamento. Para eles a Igreja havia sido criada pelo deus mau para escravizar as pessoas. O movimento era liderado pelos chamados "perfeitos", religiosos que viviam uma vida de extrema abnegação e pureza servindo de modelos para os demais fiéis. Para os cátaros, somente um sacramento era necessário: o consolamentum, que era o último da vida e tiraria todos os pecados. A reencarnação era outro elemento fundamental da crença cátara, cujo propósito era dar às almas a oportunidade de virem a encarnar no corpo de um "perfeito" e assim alcançar a reunião com Deus.
Origem do movimento cátaro: alguns estudiosos acreditam que os fundamentos do catarismo remontem ao zoroatrismo na Pérsia Antiga, mas a verdade é que muitas filosofias e religiões do passado, já adotavam conceitos dualistas e de condenação da matéria. Na cultura helenista podem ser citados os filósofos estóicos e os neo-platônicos. Nos séculos II e III, prosperou o gnosticismo, movimento originário da Ásia Menor que misturava elementos da cultura cristã com os de filosofias pagãs. Mani, um profeta persa do século III, apregoou suas idéias sobre o conflito entre as forças do Bem e as do Mal, dando origem ao maniqueísmo, que chegou a ser bem difundido por todo o Império Romano nos séculos III e IV d.C. No século V, surgiu na Armênia uma comunidade maniqueísta: os paulicianos, que foram deportados pelos bizantinos para a região da Trácia, no norte da Grécia. De lá, essa filosofia se disseminou pelos Bálcãs, dando origem à seita dualista dos bogomilos na Bulgária.
Chegada e propagação dos conceitos dualistas no sul da França: não se sabe ao certo como os conceitos que deram origem ao catarismo chegaram à Provença e ao Languedoc. Uma hipótese é que, apesar das perseguições, ainda havia comunidades de paulicianos em algumas cidades ao longo do caminho da Primeira Cruzada e que, ao regressarem à Europa, algums cruzados teriam levado consigo elementos dessa crença dualista. Na região sul da França, existia um forte sentimento anticlerical dado o alto grau de corrupção e ignorância dos representantes da Igreja. Assim, uma nova religião que pregava ser o clero desnecessário acabou exercendo forte atração entre o povo.
1147 a 1149CruzadasSegunda Cruzada: comandada pelo imperador germânico Conrado III e pelo rei francês Luís VII resulta em um retumbante fracasso.
1154InglaterraComeça a dinastia Plantageneta, também conhecida como Angevina, com o rei Henrique II (1154 a 1159).
Henrique II era de origem francesa e nem sequer falava inglês. O nome Plantageneta provem da junção das palavras francesas "plant" e "gênet", que significa "giesta", um arbusto que era o símbolo da sua família. Essa dinastia também ficou conhecida como angevina devido ao seu local de origem: o Condado de Anjou na França.
1160Templários / PortugalConstrução do Castelo de Tomar.
1163Cátaros - FrançaConcílio de Tours condena o movimento cátaro.
1163 a 1250FrançaPeríodo de construção da Catedral de Notre Dame em Paris.
1167Cátaros - FrançaOrganização do movimento cátaro no Concílio de São Félix de Caraman (pequena cidade próxima a Toulouse, também conhecida como São Félix de Lauragais).
1170InglaterraThomas Becket, arcebispo de Cantuária (Canterbury), se envolve em uma disputa com Henrique II sobre os direitos da Igreja e é assassinado por quatro cavaleiros partidários do rei dentro da própria Catedral de Canterbury.
1173 a 1372ItáliaPeríodo de construção da Torre de Pisa.
outubro, 1174CruzadasSultão Saladino toma Damasco e depois, em 1183, Alepo, segunda maior cidade da Siria.
Saladino foi sultão do Egito, Síria e Palestina sendo um dos mais famosos líderes muçulmanos contra os cruzados.
c. 1177FrançaSurge em Lyon o movimento religioso dos valdenses, fundado por um rico comerciante chamado Pedro de Valdes que decide doar seus bens para os pobres e viver uma vida mais simples e pura como no cristianismo primitivo.
Os valdenses criticavam a absurda riqueza e imoralidade do clero, apregoavam que todos tinham o direito de ler a Bíblia em sua própria língua (Pedro de Valdes chegou a traduzir o Novo Testamento para a língua provençal falada no sul da França) e só aceitavam os sacramentos do batismo e da eucaristia. O movimento foi considerado herege pela Igreja e, apesar da forte repressão, sobreviveu ainda durante algum tempo no norte da Itália.
1179Ordens Militares-ReligiosasPrimeiras desavenças e choques entre os grão-mestres das ordens dos Templários e dos Hospitalários. Essa hostilidade, que iria se intensificar no decorrer dos anos, viria a se tornar numa das causas das derrotas e fracassos políticos dos cruzados no Oriente.
1179PortugalPapa Alexandre III reconhece a independência do país.
1180 a 1223FrançaReinado de Filipe Augusto.
Filipe Augusto procurou fortalecer o poder central enfraquecendo as estruturas feudais. Deu início à formação de um exército nacional efetivamente sob seu controle (embora dependesse ainda de seus vassalos para o fornecimento das tropas). Fez grandes obras de remodelação de Paris (então denominada Lutécia) e participou da Terceira Cruzada, a Cruzada dos Reis, juntamente com Ricardo Coração de Leão da Inglaterra e Frederico Barbaruiva do Sacro Império Romano-Germânico.
maio 1182Imp. BizantinoMassacre de milhares de habitantes da Europa ocidental, principalmente mercadores venezianos, em Constantinopla. Esse fato suscita um forte clima de ódio para com os bizantinos, incitando o violento ataque dos cruzados contra Constantinopla em 1204 durante a Quarta Cruzada.
1183PapadoConcílio de Verona: preocupada com o crescimento de movimentos heréticos, principalmente, com a seita dos cátaros no sul da França, a Igreja Católica estabelece que, duas vezes por ano, bispos deveriam ser enviados às paróquias suspeitas para deter o avanço desses grupos dissidentes. Era o início da famigerada Inquisição.
A Inquisição foi uma instituição criada pela Igreja Católica para o combate às heresias (doutrinas contrárias àquela definida pela Igreja); seu nome oficial era Tribunal do Santo Ofício da Inquisição. Esse tribunal eclesiástico surgiu quando a Igreja começou a se sentir ameaçada em seu poder e autoridade pelas dissidências que colocavam em risco a unidade doutrinária contestando os dogmas estabelecidos. Além desta manifestação medieval para combate às heresias, a Inquisição foi utilizada em outras regiões e momentos históricos, tais como a Inquisição Espanhola (a partir do final do século XV), a Inquisição Portuguesa (iniciada por D. João III em 1536) e também como instrumento da Contra-Reforma.
O que a Inquisição considerava como transgressão: havia duas categorias: as transgressões contra a fé, consideradas as mais graves (heresias, judaísmo, islamismo, blasfêmias, críticas aos dogmas católicos) e os crimes contra a moral e os bons costumes (bigamia, sodomia, feitiçaria, bruxaria, desacatos, etc). A partir do século XVI, professar o protestantismo entrou no rol das faltas graves. A Inquisição também controlava os livros que poderiam ser lidos (continham um selo oficial: "imprimatur"). Os proibidos constavam de uma lista denominada "index librorum prohibitorum". Na Espanha, a importação de livros proibidos era um crime sujeito à pena de morte!
Métodos de atuação: além dos inquisidores oficiais (geralmente religiosos dominicanos ou franciscanos), a Inquisição se valia de pessoas comuns que agiam como espiões ajudando na caça aos suspeitos. A denúncia anônima e a delação eram os métodos mais usados para incriminar as pessoas. Muitas vezes, meros rumores bastavam para levar suspeitos para a prisão, sessões de tortura e para a fogueira nos tristemente célebres autos-de-fé! Aos prisioneiros não era dado o direito de defesa e, muitas vezes, nem ficavam sabendo o motivo de sua condenação. Também não lhes era permitido conhecer seus delatores, o que favorecia imensamente o clima de denúncias.
Autos de fé eram as cerimônias, realizadas em praças públicas ou locais muito movimentados, onde eram proclamadas e executadas as sentenças proferidas pelo Tribunal da Inquisição. Geralmente, os condenados eram queimados vivos numa pira sendo o suplício conduzido por um carrasco da Coroa.
dezembro, 1185PortugalMorre D. Afonso Henriques. Sobe ao trono, D. Sancho I que reina até 1211.
Os sucessores de Afonso Henriques, auxiliados pelos Templários e outras ordens militares, expandiram as fronteiras do novo reino para o sul.
1185 a 1603JapãoPeríodo feudal japonês: os xóguns, nobres proprietários de terra, tornam-se cada vez mais poderosos, tendo o imperador japonês um papel meramente simbólico, não conseguindo exercer nenhum controle fora da capital, Kioto. Toda a administração do país fica nas mãos desses nobres.
04 de julho, 1187CruzadasBatalha de Hattin: sultão Saladino vence um exército cristão comandado por Guy de Lusignan e toma a maior parte do reino de Jerusalém.
A partir desse ponto tem início o processo de decadência dos estados cruzados no Oriente. Em contrapartida, aumenta o poder e a importância das Ordens dos Templários e dos Hospitalários.
02 de outubro, 1187CruzadasSaladino conquista Jerusalém.
1189 a 1199InglaterraReinado de Ricardo Coração de Leão, filho de Henrique II.
Embora tenha reinado por dez anos, Ricardo só passou seis meses na Inglaterra. O resto do tempo esteve ausente, participando da Terceira Cruzada ou defendendo suas possessões no continente.
1189 a 1192CruzadasTerceira Cruzada: organizada após a notícia da conquista de Jerusalém pelo sultão Saladino em 1187. Denominada Cruzada dos Reis, porque dela participaram: Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra; Filipe Augusto, rei da França e Frederico Barbaruiva, imperador do Sacro Império Romano-Germânico.
A fim de fortalecer esta nova cruzada, o Papa Gregório VIII estendeu as indulgências também para aqueles que, não podendo participar diretamente da expedição, contribuíssem financeiramente para que outros pudessem ir. Essa cruzada, que contou também com escandinavos e italianos, apresentou a mesma deficiência das outras duas: falta de planejamento e de um comando centralizado. Cada exército seguiu seu próprio caminho chegando ao Oriente em momentos diferentes e já bem enfraquecidos.
junho, 1190CruzadasImperador Frederico Barbaruiva parte na frente, indo por terra até a Ásia Menor, onde obtém algumas vitórias, mas, logo depois, morre afogado, acidentalmente, em um pequeno rio. Sua morte provoca a dispersão do exército germânico.
1190Ordens Militares-ReligiosasFundação da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos que, assim como os Hospitalários e os Templários, têm como missão defender as terras cristãs na Palestina e na Síria. Usavam vestes brancas com uma cruz negra.
1191JapãoZen-budismo introduzido no país proveniente da China.
julho, 1191CruzadasFortaleza de São João d'Acre tomada pelos cristãos.
São João d'Acre se tornou o principal baluarte cristão no Oriente durante cem anos. Sua queda em 1291 viria a marcar o fim do movimento das Cruzadas.
07 de setembro, 1191CruzadasBatalha de Arsuf: Ricardo Coração de Leão, apoiado pelos Hospitalários e Templários, enfrenta Saladino e obriga o exército muçulmano a se retirar.
junho, 1192CruzadasRicardo Coração de Leão e Saladino assinam o Tratado de Ramla, o qual concedia aos cristãos o direito de peregrinação a Jerusalém, embora a cidade continuasse sob controle muçulmano.
Apesar de os cruzados terem conquistado Acre e Jaffa e vencido alguns combates, o objetivo de retomar Jerusalém não fora alcançado.
1195 a 1203Imp. BizantinoReinado de Aleixo III: em julho de 1203, sabendo do avanço dos cruzados em direção a Constantinopla e da incapacidade de seu exército em enfrentá-los, o imperador foge em um navio com grande quantidade do tesouro do Estado.
1198Cátaros - FrançaInocêncio III assume o papado e resolve exterminar o movimento cátaro.
1199 a 1216InglaterraReinado de João sem-Terra, filho de Henrique II: durante seu governo, enfrenta forte oposição da nobreza devido aos pesados impostos para cobrir despesas militares e às desastrosas perdas de territórios ingleses na França, o que leva a um enfraquecimento considerável do poder real, culminando com a assinatura da famosa Magna Carta (1215).