Período (d.C.)TemaEvento
1Era CristãO nascimento de Jesus Cristo foi estabelecido como o marco inicial do calendário cristão. Contudo, pesquisas posteriores indicaram que este evento teria, certamente, ocorrido antes (entre 7 a 4 a.C.). do ano que foi convencionado para ser o primeiro da era cristã
6Civ. HebraicaArquelau, rei da Judéia, é deposto por César Augusto, imperador romano. O poder passa então a ser exercido por governadores romanos instalados na cidade de Cesaréia, distante das turbulentas agitações de Jerusalém.
8Imp. RomanoPoeta Ovídio é banido pelo imperador César Augusto para a cidade de Tomis na região do Mar Negro (atual Constança na Romênia). Dizia-se ter sido devido à imoralidade do livro "A Arte de Amar".
setembro, 9Imp. RomanoTrês legiões romanas, comandadas por Publio Quintilio Varo, são dizimadas na Floresta de Teutoburgo, na Germânia, pela tribo germânica dos queruscos, comandados por Armínio (Hermann). Foi uma das mais fragorosas derrotas sofridas por Roma, estimando-se que tenham morrido de 15 a 20 mil soldados. Ao final, Varo, sentindo-se encurralado e sem nenhuma esperança, suicidou-se com a própria espada.
Segundo o historiador romano Suetônio, Augusto, ao ouvir a notícia, ficou extremamente chocado, tendo rasgado suas roupas e dito "Quintilio Varo, devolva minhas legiões".
14 a 37Imp. RomanoReinado de Tibério, segundo imperador romano. Era filho adotivo de César Augusto.
Acusado da morte do famoso general Germânico (irmão do futuro imperador Cláudio), granjeou o ódio popular. Temendo conspirações, desencadeou uma série de perseguições através de Sejano, chefe da guarda pretoriana (grupo de legionários encarregados da proteção pessoal dos imperadores).
26 a 36Imp. RomanoPeríodo em que Pôncio Pilatos foi o governador romano na Judéia.
c. 27 a 30CristianismoPeríodo provável do ministério de Jesus Cristo.
29CristianismoDecapitação de João Batista por ordem de Herodes Antipas.
30CristianismoAno provável da prisão, julgamento e crucificação de Jesus Cristo.
30CristianismoDia de Pentecostes: discípulos recebem o Espírito Santo. Início da obra de evangelização pelo mundo.
35CristianismoEstevão, um dos primeiros diáconos da igreja cristã, é apedrejado até a morte. Considerado o primeiro mártir do Cristianismo (Santo Estevão).
37 a 41Imp. RomanoReinado de Calígula: Imperador cruel e excêntrico, cujo nome verdadeiro era Caio César Germânico.
Uma de suas excentricidades foi a nomeação de seu cavalo Incitatus como senador de Roma. Com sinais de demência e extremamente impopular, foi assassinado por um membro da guarda pretoriana.
c. 37CristianismoConversão de Paulo, até então fervoroso defensor do Judaísmo e perseguidor dos cristãos. A partir daí passa a ser o apóstolo Paulo, um dos maiores difusores do Cristianismo. Escreveu cerca de 14 cartas (epístolas) às comunidades que visitava ensinando a nova doutrina.
40CristianismoEm Antioquia, na Síria, é utilizado, pela primeira vez, o termo "cristão".
41 a 54Imp. RomanoReinado de Cláudio: No ano de 43, invade as Ilhas Britânicas e cria a província da Britânia. Um dos seus filhos recebe o nome de Britânico em homenagem à conquista do pai.
As legiões romanas permaneceram na Britânia até o início do século V, quando foram obrigadas a abandonar a ilha para reforçar a defesa do Império no continente, então severamente pressionado pelos bárbaros.
44CristianismoApóstolo Tiago decapitado em Jerusalém, por ordem de Herodes Antipas, rei da Judéia.
Foi o primeiro apóstolo a morrer como mártir e o único cuja morte foi mencionada na Bíblia no livro de Atos dos Apóstolos. Segundo a tradição teria evangelizado a Hispânia (província romana), motivo pelo qual seu corpo teria sido levado para Santiago de Compostela, na Galícia, local de intensas peregrinações até os dias de hoje.
45 a 48CristianismoPrimeira viagem missionária de Paulo.
49 a 52CristianismoSegunda viagem missionária de Paulo.
c. 50CristianismoMateus escreve o seu evangelho.
c. 50CristianismoSurgem as primeiras comunidades cristãs no Império Romano, além de Jerusalém, tais como: Damasco e Antioquia na Síria; Atenas, Tessalônica e Corinto na Grécia; Alexandria no Egito e Roma, capital do Império.
53 a 58CristianismoTerceira viagem missionária de Paulo.
54 a 68Imp. RomanoReinado de Nero: Promoveu a primeira grande perseguição aos cristãos. Acredita-se que tenha mandado incendiar Roma em 64. Responsável por uma série de assassinatos, entre eles, o de sua mãe Agripina e sua esposa Otávia. Obrigou o filósofo Sêneca, seu preceptor, a se suicidar. Perseguido pela guarda pretoriana, suicidou-se.
c. 60CristianismoLucas escreve o seu evangelho e o livro de Atos dos Apóstolos.
63CristianismoTiago, irmão de Jesus, é morto por apedrejamento em Jerusalém.
julho de 64Imp. Romano / CristianismoImperador Nero manda atear fogo a Roma e põe a culpa nos cristãos que sofrem a primeira perseguição naquela cidade.
65Imp. RomanoSêneca (4 a.C. a 65 d.C.), escritor e filósofo romano da escola do Estoicismo, obrigado a cometer suicidio, acusado de ter participado de uma conspiração contra o imperador Nero de quem foi preceptor e conselheiro.
66 a 73Civ. HebraicaGrande Revolta Judaica: o motivo principal desta luta entre judeus e romanos foi o mau governo de Géssio Floro (64 a 66), totalmente prejudicial aos judeus. Quando, em 66, o governador ordena o saque do tesouro do Templo, a violência explode em Jerusalém.
Na ocasião, os judeus se dividiam entre os moderados, que apoiavam o domínio romano e os zelotes, radicais que acreditavam que os judeus poderiam expulsar os romanos, sendo traidores aqueles que buscavam a paz.
67CristianismoPedro, um dos doze discípulos de Jesus Cristo, é martirizado em Roma, sendo crucificado de cabeça para baixo.
Pedro, posteriormente canonizado como São Pedro, foi o primeiro bispo de Roma. Como o líder cristão em Roma passou a ter primazia sobre os de outras comunidades, a Igreja Católica o considera como o primeiro Papa.
67CristianismoApóstolo Paulo, posteriormente canonizado como São Paulo, é decapitado em Roma.
67Civ. HebraicaGeneral romano Vespasiano chega à Palestina para abafar a revolta judaica.
67 a 76CristianismoLino é considerado sucessor de Pedro como bispo de Roma, sendo assim o segundo Papa.
c. 68CristianismoMarcos escreve seu evangelho.
68 a 69Imp. RomanoGuerra Civil: após a morte de Nero em 68, seguiu-se um período de guerra civil entre os comandantes dos exércitos, lutando pela sucessão. O ano de 69 ficou conhecido como o "ano dos quatro imperadores": Galba (comandante da Hispânia); Otão (guarda pretoriana) e Vitélio (comandante da Gália e Germânia). Finalmente, assumiu Vespasiano, comandante do exército romano no Oriente que inaugurou a dinastia Flaviana (69 a 96). Essa dinastia teria ainda mais dois imperadores: Tito e Domiciano.
69 a 79Imp. RomanoReinado de Vespasiano: período de relativa paz.
70Civ. HebraicaCom a ascensão de Vespasiano ao trono imperial, seu filho Tito assume a guerra contra os judeus. Jerusalém, sitiada durante seis meses, cai em agosto de 70. O Templo é totalmente destruído. Tem início a grande diáspora dos judeus pelo mundo.
70 a 73Civ. HebraicaResistência de Massada: cerca de mil zelotes se refugiam na Fortaleza de Massada, mandada construir por Herodes para sua própria proteção. Ficava no alto de um monte de dificílimo acesso e contava com um poderoso sistema defensivo formado por 30 torres. O general romano Flavius Silva consegue tomá-la somente depois de ter construído uma gigantesca rampa de assalto, de onde seus soldados puderam disparar flechas flamejantes.
Conta-se que os zelotes, sentindo a derrota, estabeleceram um plano de suicídio coletivo: um sorteio definiu dez pessoas para matarem todas as outras. Depois, um desses dez foi selecionado para assassinar as outras nove, suicidando-se em seguida.
79 a 81Imp. RomanoTito: seu curto reinado foi marcado pela violenta erupção do Vesúvio.
agosto 79Imp. RomanoErupção do Vesúvio destrói as cidades de Pompéia e Herculano.
81 a 96Imp. RomanoReinado de Domiciano, irmão de Tito. Perseguiu cristãos e judeus, além de muitos romanos. Com o seu assassinato, encerra-se a dinastia Flaviana.
85 a 90CristianismoApóstolo João escreve seu evangelho e três epístolas.
c. 95CristianismoApóstolo João escreve o livro de Apocalipse na ilha grega de Patmos.
Apocalipse significa "Revelação" em grego. Neste último livro da Bíblia, João escreve as famosas cartas às "Sete Igrejas da Ásia Menor": Éfeso; Esmirna; Filadélfia; Laodicéia; Pérgamo; Sardes e Tiatira. Essas cartas foram endereçadas às congregações cristãs dessas importantes cidades da época. Todas elas se localizavam na região da atual Turquia.
96 a 192Imp. RomanoDinastia dos Antoninos: esse período foi chamado de "Século de Ouro" de Roma. O império atingiu seu poder e extensão máximos. Paz interna e prosperidade ecônomica foram outras características dessa época. Os primeiros imperadores dessa dinastia, Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio, são chamados de "os cinco bons imperadores".
96 a 98Imp. RomanoReinado de Nerva, senador escolhido para substituir Domiciano. Designou Trajano, comandante militar da Germânia, como seu sucessor.
c. 98Imp. RomanoPublicado o livro "Germânia" do historiador latino Tácito descrevendo com grande riqueza de detalhes aspectos da vida das tribos bárbaras que habitavam a região da Germânia.
Tácito que viveu de 55 a 120 d.C. foi um dos principais historiadores da Antiguidade. Além de "Germânia", escreveu "Anais" e "Histórias" que relatam o período histórico do Império desde o reinado de Tibério (14 a 37) até o de Domiciano (81 a 96).
98 a 117Imp. RomanoReinado de Trajano: considerado um ótimo governante. Minimizou a tributação das províncias, concedeu crédito aos agricultores e promoveu amplo sistema de auxílio aos pobres. Conquistou a Dácia (território das atuais Romênia e Hungria) e a Armênia. Durante o seu reinado, o Império Romano atingiu sua extensão máxima, significando com isso maiores fronteiras a defender.
c. 100CristianismoSurge o Gnosticismo (nome derivado da palavra grega "gnosis" que significa "conhecimento"), movimento religioso que misturava a doutrina cristã com elementos do paganismo e de filosofias gregas. Um de seus principais adeptos foi o teólogo Marcião.
c. 105ChinaInvenção do papel e de seu processo de fabricação por Cai Lun, um eunuco da corte.
Descobertas recentes atestam que o papel já existia na China muito antes desta data. O papel, a bússola, a pólvora e a imprensa são consideradas as quatro grandes invenções da China Antiga.
117 a 138Imp. RomanoReinado de Adriano: passou quase a metade do seu governo em viagens pelas províncias. Tinha o costume de mandar erigir, em cada lugar, uma obra importante para que sua visita fosse relembrada pelo povo. Ordenou a construção de uma muralha de cerca de 120 quilômetros na Britânia - Muralha de Adriano - ligando o Mar do Norte ao Mar da Irlanda, com objetivo de proteger os territórios romanizados contra os ataques das tribos celtas (pictos e escotos) que habitavam o norte da ilha (Escócia). Em 135, sufocou uma nova revolta dos judeus, a de Bar Kochba.
121Imp. RomanoSuetônio (c. 69 a 141 d.C.), historiador latino, escreve "A Vida dos Doze Césares" contando a história de Júlio César e dos onze primeiros imperadores.
130Civ. HebraicaRevolta de Bar Kochba: ao visitar a Palestina, o imperador Adriano decide construir uma nova cidade, a ser batizada de Aelia Capitolina, para substituir a arruinada Jerusalém. No local onde ficava o Templo destruído seria erguido um novo templo dedicado a Júpiter. O povo se horroriza com a decisão de reconstrução de Jerusalém como uma cidade pagã e dá início a uma nova revolta contra os romanos, liderada por Simão Bar Kochba, cujo nome significava "filho da estrela".
135Civ. HebraicaGeneral romano Sexto Júlio Severo derrota os revoltosos, devastando cidades e matando milhares de judeus, entre eles seu líder Bar Kochba. Judeus remanescentes são expulsos de toda a Judéia. Aelia Capitolina é, então, construída sobre os destroços de Jerusalém: uma moderna cidade helenizada com templos, teatro, banhos públicos, mercados e arcos, um deles comemorando a vitória sobre Bar Kochba.
Segundo o historiador romano Cassius Dio, mais de 500 mil judeus foram mortos nesta revolta.
138 a 161Imp. RomanoReinado de Antonino Pio: governou de maneira muito justa. Introduziu o princípio de que o réu é inocente até que se prove o contrário.
156CristianismoAdota-se pela primeira vez o termo "Igreja Católica" com o sentido de igreja universal.
161 a 180Imp. RomanoReinado de Marco Aurélio: enfrentou os partos (a Pártia era um reino onde hoje se localiza o Irã) bem como tribos germânicas (marcomanos e quados) que forçavam a fronteira do Rio Danúbio. Suas legiões foram vitoriosas, mas trouxeram da Ásia uma terrível epidemia que grassou no Império por muitos anos.
Além de imperador, Marco Aurélio era também filósofo. Escreveu "Memórias", um importante livro sobre a filosofia estóica. Dotado de elevados ideais de justiça e bondade, foi o último dos "cinco bons imperadores".
c. 170CristianismoSurge na Frígia (região da atual Turquia), o movimento cristão denominado Montanismo (seu fundador chamava-se Montano), considerado como a primeira reforma da igreja cristã. Tertuliano foi seu principal teólogo. Combatido como heresia a partir do século III.
c. 180 a 476Imp. RomanoDecadência do Império Romano: com a morte de Marco Aurélio em 180 tem início o lento declínio de Roma. O Senado começa a perder sua força. Com alguns intervalos de um ou outro bom governante, sucedem-se imperadores medíocres e de reinados de curta duração. A derrocada do Império é notória. Os três principais fatores que contribuem para isto são: a) anarquia militar, com disputas intensas entre os comandantes dos exércitos romanos pelo poder b) crise da economia (escassez de alimentos, evasão fiscal e inflação) c) pressão externa dos povos bárbaros.
180 a 192Imp. RomanoReinado de Cômodo, filho de Marco Aurélio, considerado um dos piores imperadores romanos. Libertino e cruel, mostrava sinais de demência. Apaixonado por espetáculos violentos, se comprazia em assistir às lutas entre gladiadores, sendo que muitas vezes chegou a lutar na arena. Após várias conspirações, acabou assassinado.
Logo após o assassinato de Cômodo, assumiu o trono imperial Pertinax que também foi assassinado pouco menos de três meses depois. Em seguida, o abastado senador Dídio Juliano obtém o cargo de imperador através de um leilão promovido pela guarda pretoriana, fato esse considerado um dos mais vergonhosos da história política de Roma! Uma revolta de generais limitou seu governo a pouco mais de dois meses.
193Imp. RomanoSétimo Severo, comandante das tropas romanas no Danúbio, é escolhido imperador e inicia a dinastia dos Severos. Governou até 211 com o apoio do exército, desprezando o Senado e as tradições e perseguindo cristãos e judeus. De 208 até sua morte em 211, conduziu campanhas militares na Britânia buscando expandir as fronteiras romanas na ilha.
211 a 217Imp. RomanoCaracala: filho de Sétimo Severo. Após a morte do pai, dividiu o trono com seu irmão Geta. A rivalidade entre eles chegou a tal ponto que Caracala mandou assassinar o irmão. Em 212, através do Édito de Caracala concedeu cidadania romana a todos os habitantes livres do Império. Sua instabilidade e brutalidade levaram-no a ser odiado pelo povo. Morreu assassinado por Macrino que o sucedeu (217 a 218).
218 a 222Imp. RomanoHeliogábalo: nasceu na Síria. Proclamado imperador com apenas 14 anos pelas tropas romanas no Oriente. Seu nome era o de um deus solar cultuado na Síria. Tinha um comportamento excêntrico, vestindo-se como mulher e tendo numerosos amantes. A um deles concedeu o título de "esposo da imperatriz". Morreu assassinado.
222 a 235Imp. RomanoAlexandre Severo: primo de Heliogábalo. Durante seus treze anos de governo, enfrentou diversos motins militares em todo o Império.
235 a 284Imp. RomanoAnarquia Militar: da morte de Alexandre Severo até a ascensão de Diocleciano em 284, ocorreu uma sucessão de cerca de vinte imperadores obscuros, entre os quais muitos tiranos militares. Seus reinados eram frágeis e efêmeros. Em um único ano (238), passaram pelo trono imperial seis governantes!
271ChinaPrimeiro registro encontrado mencionando a invenção da bússola.
284 a 305Imp. RomanoReinado de Diocleciano: visando facilitar a administração e a defesa do Império, criou a Tetrarquia, um regime de quatro imperadores, sendo dois principais, intitulados "augusto" e dois subalternos, chamados de "césar".
Os dois imperadores "augustos" foram o próprio Diocleciano que se estabeleceu no Oriente, na cidade de Nicomédia e Maximiano no Ocidente em Milão, observando-se com isso o desprestígio de Roma, na época. Os outros dois imperadores "césares" escolhidos foram Galério, responsável pelas províncias do Danúbio e Constâncio Cloro, sediado em Trèves (Trier) na região da Renânia.
c. 300Povos BárbarosOs hunos, um povo da Ásia Central, atravessam o Rio Volga e entram na Rússia. Dominam os alanos e, em seguida, os godos.
A chegada dos hunos à Europa fez aumentar a pressão dos povos bárbaros sobre o Império Romano, acelerando a sua decadência e queda.
c. 300CristianismoSurge a doutrina do Arianismo pregada pelo bispo Arius de Alexandria, questionando o dogma da Trindade, ou seja, um Deus único manifestado em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Segundo Arius, Deus é único, sendo Jesus Cristo seu filho, e não Deus. Esta controvérsia se arrastou por muito tempo, ameaçando a unidade da igreja cristã.
301Imp. RomanoÉdito Máximo: Diocleciano decreta medida objetivando controlar o preço máximo permitido para os artigos e serviços no Império, combatendo assim os intermediários que desviavam produtos do mercado para forçar a alta dos preços. Esse decreto de congelamento logo fracassou.
303Imp. Romano / CristianismoÉdito contra os Cristãos: esse decreto de Diocleciano deu origem à última e mais violenta perseguição aos cristãos no Império Romano. Instaurou-se um regime de terror com a destruição de igrejas, queima de livros, proibição de reuniões, confisco de bens e expulsão dos cargos públicos. Estima-se que cerca de mil e quinhentos cristãos tenham sido martirizados. Milhares foram torturados, sendo que muitos abjuraram a fé. A mortandade durou cerca de oito anos.
305Imp. RomanoDiocleciano e Maximiano abdicam do poder.
Após a abdicação de Diocleciano e Maximiano, a Tetrarquia ficou seriamente abalada e, em pouco tempo, se extinguiria. Já em 306, dois herdeiros começavam a luta para conquistar o trono: Maxêncio, filho de Maximiano e Constantino, filho de Constâncio Cloro. Essa disputa terminou com a vitória de Constantino sobre Maxêncio no ano de 312.
306 a 337Imp. RomanoConstantino I: proclamado imperador "augusto" pelas suas tropas em 306. Em 312, derrota definitivamente seu rival Maxêncio. Em 313, através do Édito de Milão, concede liberdade de culto aos cristãos (e a todos os outros credos no Império). Em 330, funda Constantinopla, que em breve passaria a ser a capital do Império Romano do Oriente (Império Bizantino).
28 de outubro, 312Imp. RomanoConstantino e Maxêncio se defrontam às margens do Rio Tibre, próximo à Ponte Mílvia. Apesar da superioridade numérica das tropas de Maxêncio, Constantino sai vencedor. Entra em Roma e é aclamado único imperador "augusto" do Ocidente.
Conta a tradição que, na noite anterior à batalha, Constantino teria visto no céu uma cruz de fogo sobre a frase "In hoc signo vinces" ("Com este sinal vencerás"). Constantino creditou a vitória ao Deus dos cristãos e ordenou o fim de qualquer ato contra o Cristianismo.
313Imp. Romano / CristianismoÉdito de Milão: promulgado pelo imperador Constantino, estabelece a tolerância religiosa e liberdade de culto a todos os credos em qualquer parte do Império Romano. Esse decreto, também conhecido como Édito de Tolerância, encerra de vez as famigeradas perseguições aos cristãos e determina a restituição dos bens deles confiscados nas recentes perseguições.
320 a 535ÍndiaDinastia Gupta: período de estabilidade política, florescimento cultural, principalmente nas artes e literatura, e avanço no estudo das ciências e matemática. Nesta época, houve um fortalecimento da religião hinduísta que, desde os tempos do rei Asoka (273 a 232 a.C.), estava perdendo espaço para o Budismo. O período Gupta, denominado de Idade de Ouro da Índia, foi encerrado com a invasão dos hunos provenientes da Ásia Central, os mesmos que, nesta ocasião, assolavam a Europa, sob o comando de Átila.
O desenvolvimento do conceito de zero e dos algarismos que vieram a ser chamados de indo-arábicos foi fruto dessa época Gupta. Cabe observar que, além dos indianos, apenas duas outras civilizações haviam descoberto o conceito de zero, nesta época: os babilônios e os maias.
325CristianismoPrimeiro Concílio de Nicéia: cerca de trezentos bispos cristãos se reúnem nesta cidade, próximo a Constantinopla, sob auspícios de Constantino, buscando restaurar a unidade da igreja cristã. O resultado foi a condenação da doutrina do Arianismo que passa a ser considerada herética.
325Povos BárbarosHunos derrotam os godos, que então se subdividem em dois grupos: os ostrogodos e os visigodos.
326CristianismoHelena, mãe de Constantino, vai a Jerusalém e começa a construção da Igreja do Santo Sepulcro.
330Imp. RomanoFundação de Constantinopla, cidade construída a partir da antiga Bizâncio dos gregos e que passaria a ser a capital do Império Romano do Oriente, quando da divisão do Império, alguns anos mais tarde (395). Posteriormente, essa parte oriental veio a ser chamada de Império Bizantino.
Após a morte de Constantino I, o Grande, em 337, o Império foi divido em três regiões administrativas, cada uma delas entregue a um de seus filhos: Constantino II, filho mais velho, ficou com a parte Ocidental (Hispânia e Gália); a parte central (Itália e Ilíria) ficou com Constante e o Oriente com Constâncio II.
c. 330Imp. Romano / Povos BárbarosVisigodos, temendo o avanço dos hunos, pedem asilo ao Império Romano, sendo, então, alojados na Macedônia na condição de federados, isto é, aliados para defesa da fronteira.
361 a 363Imp. RomanoJuliano, último imperador pagão. Sofrera a influência da filosofia neoplatônica e considerava o Cristianismo um produto de superstições judias, mas não promoveu perseguição aos cristãos, limitando-se a uma campanha de propaganda contrária. Por tentar restaurar o Paganismo, passou a ser conhecido na História como Juliano, o Apóstata.
09 de agosto, 378Imp. Romano / Povos BárbarosBatalha de Adrianópolis: romanos, comandados pelo imperador Valente, são esmagados por um exército de visigodos e ostrogodos, liderados por Fritigern. Nessa batalha, um dos maiores reveses sofridos pelos romanos na História, vem a falecer o próprio imperador Valente.
Adrianópolis era uma cidade localizada na região da Trácia. Atualmente chama-se Edirne, na Turquia europeia.
379 a 395Imp. RomanoReinado de Teodósio, último governante do Império Romano unificado. Após a sua morte, o Império foi definitivamente dividido em duas partes. No seu reinado, o cristianismo foi oficializado como a única religião do Estado, sendo que todas as outras foram proibidas e tiveram seus templos fechados ou demolidos.
380CristianismoSão Jerônimo traduz a Bíblia para o latim. Essa versão, conhecida como Vulgata, se constituiu em um passo importante para a propagação do Cristianismo por todo o Império.
391Imp. Romano / CristianismoTeodósio promulga o Édito de Tessalônica, tornando o Cristianismo a religião oficial do Império e abolindo o paganismo. Os cultos gregos e romanos são proibidos. Muitos templos e estátuas são destruídos, entre eles, o mais famoso de todos: o Templo de Serápis em Alexandria, no Egito, construído por Ptolomeu III (246 a 222 a.C.) e dedicado ao mais importante deus egípcio durante a dinastia ptolomaica.
Contrariamente à versão muito difundida, o Cristianismo não se tornou religião oficial do Império, em 313, sob Constantino, mas sim através desse decreto de Teodósio em 391. Deve-se observar que o Édito de Milão, anunciado por Constantino, era um decreto de tolerância, que aceitava todos os credos praticados no Império, entre os quais o Cristianismo.
395Imp. RomanoDivisão do Império: depois da morte de Teodósio, o Império Romano se divide definitivamente em duas partes: o Império Romano do Ocidente com capital em Milão e o Império Romano do Oriente (depois conhecido como Império Bizantino) sediado em Constantinopla. Dois filhos de Teodósio são aclamados imperadores: Honório fica com a parte ocidental e Arcádio com a oriental.
395 a 408Reinado de Arcádio, filho de Teodósio, considerado o primeiro imperador bizantino. Sua dinastia, chamada teodosiana, durou até 457. No período entre o reinado de Arcádio e a chegada ao poder de Justiniano (527), os bizantinos tiveram muitos conflitos contra os bárbaros. Através de campanhas militares ou por meio de concessões e dissuasões, os bizantinos tiveram pela frente os visigodos de Alarico, os hunos de Átila, os vândalos de Genserico e os ostrogodos de Teodorico.
Império Bizantino: Visão Geral
Duração: o Império Bizantino durou mais de 1000 anos, se estendendo de 395 d.C., quando da divisão do Império Romano em duas partes, até a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453. Sua existência coincide com o período histórico da Idade Média, sendo que a queda de Constantinopla passou a ser considerada, por muitos historiadores, como o marco final da Idade Média.
Localização e população: as fronteiras bizantinas se modificaram bastante, ao longo do tempo, devido a períodos de expansão e de retração, conforme fossem fases de pujança ou de decadência. No início, o Império abrangia os Bálcãs, a Ásia Menor, regiões do Oriente Próximo (Síria, Mesopotâmia, Palestina) e o nordeste da África (Egito). Sua população era, portanto, bastante heterogênea, abrangendo desde gregos e outros povos influenciados pela cultura grega (judeus, sírios, armênios, egípcios e persas) até povos bárbaros como os eslavos e mongóis.
Herança romana e posterior helenização: nos primeiros séculos de sua existência, o Império do Oriente procurou manter sua herança romana, atuando como sucessor natural do grandioso Império Romano de outrora. O latim era a língua oficial, sendo preservadas as principais instituições políticas, jurídicas e administrativas de Roma. Somente, a partir do século VII, os bizantinos dão início ao processo de helenização de sua cultura: o grego passa a ser o idioma oficial e predominante; as manifestações artísticas, literárias e filosóficas são eminentemente helênicas.
Baluarte cristão: durante muitos séculos, o Império Bizantino se constituiu no principal sustentáculo dos povos cristãos frente ao avanço dos muçulmanos, já que aliava ao seu poderio militar um profundo sentimento de religiosidade de seu povo.
405JapãoIntrodução da escrita chinesa.
405Imp. Romano / Povos BárbarosOstrogodos, liderados por Radagásio, invadem a Itália.
31 de dezembro, 406Povos BárbarosVândalos, suevos e alanos atravessam o Rio Reno e dão início à devastação da Renânia, Bélgica e Gália, partindo depois para a Aquitânia. Este movimento ficou conhecido como a "grande invasão dos bárbaros".
409Povos Bárbaros / Península IbéricaVândalos, suevos e alanos cruzam os Pirineus e invadem a Península Ibérica (Hispânia). Os vândalos e alanos se dirigem para o sul (Andaluzia) e os suevos para o noroeste da Península (região das atuais Galícia e norte de Portugal), onde fundam um reino com capital em Braga.
O topônimo Andaluzia se originou da palavra "vândalo".
410Imp. Romano / BritâniaFim do domínio romano na Britânia: objetivando reforçar suas posições no continente, as legiões romanas abandonam a Britânia, deixando os bretões, povo celta já romanizado, à mercê de seus inimigos do norte da ilha, os pictos e os escotos.
Após o retorno dos romanos ao continente, os bretões, sentindo-se extremamente vulneráveis frente às ameaças dos pictos e escotos, convidam (não existe absoluta certeza se, de fato, houve esse convite) alguns povos germânicos (anglos, saxões, jutos e frísios) para os auxiliarem na defesa de suas terras.
agosto, 410Imp. Romano / Povos BárbarosVisigodos, chefiados por Alarico, saqueiam Roma. Em seguida (412), dirigem-se ao sul da Gália.
c. 410 a 450Povos BárbarosFrancos, povo germânico, ocupam grande parte da Gália e da Renânia.
414Povos BárbarosCriação do Reino Visigodo da Gália, com capital em Toulouse, que dura até 507, quando é exterminado pelos francos.
415Imp. Romano / Povos BárbarosA pedido do imperador romano Honório, os visigodos da Gália, comandados por Walia, invadem a Península Ibérica para tentar expulsar os vândalos, suevos e alanos que lá estavam.
429Povos BárbarosVândalos de Genserico, juntamente com grupos alanos, atravessam o Estreito de Gibraltar e invadem o norte da África se deslocando até Cartago que, na época, já havia se tornado novamente uma próspera cidade, agora do Império Romano.
430CristianismoNo cerco dos vândalos à cidade de Hipona (na atual Argélia), foi morto Agostinho, um dos mais importantes teólogos da igreja católica medieval.
Entre as principais obras escritas por Santo Agostinho, citam-se: "Confissões" e "A Cidade de Deus".
447Povos BárbarosHunos, sob o comando de Átila, saqueiam várias cidades europeias. A região dos Bálcãs fica arruinada.
449Povos BárbarosVortigern, chefe dos bretões, convida tribos germânicas (anglos, saxões, jutos e frisões) para irem para a Britânia socorrê-los contra seus inimigos. Depois de vencerem facilmente os pictos e os escotos, os germânicos se voltam contra os próprios bretões e os derrotam, definitivamente, em 577 na Batalha de Deorham.
451Imp. Romano / Povos BárbarosHunos avançam em direção ao Rio Reno, saqueando cidades e massacrando seus habitantes. Forma-se, então, um grande exército de coalizão para combatê-los: romanos, sob o comando do general Aécio; visigodos, liderados por Teodorico e francos.
20 de junho, 451Imp. Romano / Povos BárbarosBatalha dos Campos Cataláunicos (também conhecida como Batalha de Chalons): neste sangrento confronto, próximo à cidade de Troyes na Gália, a coalizão de romanos, visigodos e francos derrota os hunos de Átila. Contudo, não se trata de uma vitória decisiva, já que os vencedores extenuados permitem a retirada de Átila.
Essa batalha assinala a última grande operação militar do Império Romano do Ocidente e, ao mesmo tempo, marca um importante momento da História, quando germânicos e romanos, antigos adversários, se unem, o que se configura como o primeiro passo para a constituição da civilização européia medieval.
455Povos BárbarosVândalos, instalados no norte da África, ocupam várias ilhas do Mediterrâneo: Sicília, Sardenha, Córsega e Baleares.
junho, 455Imp. Romano / Povos BárbarosVândalos, sob a chefia de Genserico, tomam Roma e saqueiam a cidade durante duas semanas.
457 a 474Imp. Romano do Oriente (Imp. Bizantino)Reinado de Leão I inaugura a dinastia leônica que se estenderá até 518.
466Povos BárbarosEurico estende os domínios dos visigodos da Gália até a Espanha, fundando o Reino Visigodo da Espanha com capital em Toledo. Esse reino durou mais de 200 anos, sendo extinto com a chegada dos árabes em 711.
468Imp. Romano do Oriente (Imp. Bizantino)Vândalos derrotam grande esquadra bizantina mandada construir pelo imperador Leão I.
475ChinaMonge indiano Bodhidharma chega à China trazendo a filosofia do Budismo Mahayana que se propaga depois para a Coréia e o Japão, dando origem ao Zen-Budismo.
476Imp. Romano / Povos BárbarosOdoacro, chefe da tribo dos hérulos, invade a Itália e destrona o último imperador romano, Rômulo Augústulo.
Esse episódio assinala o fim do Império Romano do Ocidente, sendo também considerado como o marco que divide a Antiguidade da Idade Média.
Fim do Império Romano do Ocidente
Fim da Antiguidade